A mais bela, a mais pura e a mais duradoura glória literária de prosa da blogosfera

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terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Acções de Campanha





Tínhamos pensado não fazer um post sobre uma eleição, cuja existência discutimos. No entanto, a realidade impeliu-nos e lá vai disto:

A campanha eleitoral portuguesa a que assistimos demonstra a falência da república portuguesa.

Na preocupação, diga-se compreensível, de assegurar a eleição, os candidatos alimentam ou gastam tempo a refutar acusações sobre aplicações financeiras, rendas pagas em dinheiro ou textos publicitários, que esvazia toda a discussão útil sobre os concretos problemas do país e as eventuais soluções.

Assim uma das alegadas virtudes do sistema republicano, ou inexiste de todo, ou inexiste agora: as presidenciais não servem para reflectir sobre a organização política, não serve para o país se reinventar. Serve apenas para um animado lavar de roupa suja que em nada dignifica a república que tão contestada anda e serve para gastar rios de dinheiro.
As pessoas andam confusas se estão a votar para o BPN, para o BPP, para a AMI ou para o circo…

Com tantas discussões, mesmo que infundadas, sobre o passado político e privado dos candidatos, lançou-se uma sombra sobre a sua honestidade. A realidade torna evidente que aqueles jogadores não poderão ser árbitros.

Temos uma campanha eleitoral vazia de ideias, repleta de ataques. Tal agressividade de todas as partes acarretará uma consequência – a divisão dos cidadãos e, por via dela, muito dificilmente o próximo presidente, seja ele quem for, conseguirá ser o presidente de todos os portugueses.

E note-se um pormenor interessante nos candidatos da esquerda: numa eleição que se quer supra-partidária, um deles é indigitado pelo comité central do seu partido, vindo do anonimato para a ribalta, apenas por causa daquela deliberação – poderá este ser árbitro ou estará sempre condicionado por quem lhe deu o ser (mediático). O outro – que consegue a proeza de ter um pé no governo e um pé na oposição – clama contra aqueles que nos emprestam dinheiro (e amanhã tornamos a ir ao mercado pedir mais 20.000.000.000 de euros), dizendo que devem ter moral e preocuparem-se com os povos… Parece-nos a maneira lógica de assegurar a continuação dos empréstimos a um spread decente. Pessoalmente, gosto que a pessoa a que empreste dinheiro, ainda antes de emprestar, me diga para ter calma e ser mais decente.

É impossível eleger um árbitro de entre os jogadores… A república é uma contradição nos seus próprios termos.

Aconselhamos o leitor a treinar a dobragem do seu voto em quatro e a praticar o xis pois com a crise que anda, caso se engane, não tem direito a segundo boletim.

Por fim, como sabemos que a Sodona Merkel lê o Opinador deixamos aqui este vídeo desse grande querido para ver se afastamos o FMI do futuro próximo!
Sodona Merkel, com um líder destes estamos em bom caminho! Não se preocupe…


domingo, 9 de janeiro de 2011

Felicidade divina

Ano novo, vida nova! Todos nós que, às doze badaladas, comemos uvas passas, uma por cada badalada, uma por cada desejo formulado para este novo ano, decerto pedimos, à primeira ou segunda uva passa: "Quero ser feliz!". Mas o que é a felicidade?

A definição não se vislumbra fácil, embora o possa parecer. Como a Marquesa é crente em várias coisas, estudos científicos incluídos, não posso deixar passar incólume mais um estudo científico divulgado esta semana a propósito da felicidade. Os investigadores buscam incessantemente a descoberta daquilo que tornaria o Homem permanentemente feliz, já que este parece ser o fim principal de toda a existência humana. Assim, segundo os neurocientistas, temos uma natural tendência para sermos felizes. Todavia, a felicidade não é um conceito unitário, antes possuindo diversos níveis: existe a felicidade do instante, aquela que está associada à nossa participação na sociedade, à ocupação profissional e até a concernente à nossa relação com Deus. E, segundo os mesmos estudiosos, para sermos felizes, precisamos de, pelo menos (pelo menos, notem bem!) de saúde, algum prazer, noção de paz e de dignidade humana, estabilidade familiar, amor, realização profissional, estatuto social, dinheiro, amigos, governo competente (esta, confesso, fez-me dar as minhas tradicionais sonoras gargalhadas, vá-se lá saber porquê!) e ambição pessoal.

Neste estudo fala-se ainda acerca da relação entre a religião e a felicidade, colocando-se a seguinte questão: A religião traz a felicidade ou ela já se encontra no nosso cérebro? Estes cientistas comprovam que as diferentes formas de estabelecer relacionamentos com os conceitos de Deus, religião e Igreja activam também zonas do cérebro de modo desigual e confirmam a existência de um campo cerebral em particular que é activado de todas as vezes que se ora ou que questões religiosas se despoletam, mesmo aquando de meras conversas a esse respeito. Curiosamente, tal zona cerebral encontra-se associada às sensações de bem-estar, de tranquilidade e de paz interior.

A ligação ao divino está intimamente conexionada com o modo como o ser humano se relaciona com a vida e com o fim último da sua existência. No entanto, actualmente temos vindo a assistir a um infeliz afastamento da sociedade europeia face à religião o que, por sua vez, conduz a um esquecimento da importante noção de felicidade que o Catolicismo propõe. Isto pode explicar, em parte, a presente conjuntura económico-financeira, porquanto esta possui indubitavelmente no seu cerne uma gravíssima crise de valores onde honestidade, humildade e solidariedade são conceitos esquecidos e significantes parcos de conteúdo. Hoje, a felicidade não é rainha.

Neste ano que ora se inicia, estejamos atentos ao que verdadeiramente nos fará felizes. Porque, com as devidas adaptações, como alguém sabiamente diria: "O que nos conduz à felicidade é invisível aos olhos!".

Feliz Ano!

sábado, 8 de janeiro de 2011

Alemanha e França pressionam Portugal a pedir ajuda

Ao que parece, os especialistas andavam parcialmente equivocados: o pedido de auxílio de Portugal ao Fundo de Estabilização Europeu (FEEF) irá, efectivamente, consumar-se, mas não depois dos primeiros três meses do ano.

Segundo noticia, a Der Spiegel, Alemanha e França pressionam Portugal para efectuar o seu pedido de adesão ao FEEF, com o objectivo de evitar que o contágio português se alastre à dívida pública espanhola. Não acreditamos que haja, ainda, verdadeiras pressões no sentido literal da palavra, mas tão só telefonemas relembrando a Lisboa que o FEEF verdadeiramente existe e está ali à disposição do Governo Português, sem no entanto, o instar a recorrer ao Fundo.

Alemanha e França, no entanto, parece-nos que apenas estão a adiantar aquilo que parece cada vez mais inevitável, tentando impedir a escalada dos juros espanhóis, agindo preventivamente.
A verdade é que Portugal irá na próxima semana aos mercados financiar entre 750.000milhões e 1250.000milhões de dívida pública a 4 e a 10 anos, quando o seu juro a 10 anos é de, aproximadamente, 7,3% - uma taxa verdadeiramente insuportável. Ora, Portugal não pode aguardar por toda a operação de colocação de dívida que vai efectuar nos três primeiros meses do ano e só depois considerar as condições de financiamento para o restante; até porque o montante a financiar é demasiado elevado: quase 9.000 milhões de euros. Ou seja, as primeiras emissões de dívida são fundamentais – ou o juro a pagar é acessível ou não há outra opção a não ser recorrer ao FEEF. Realizar operações de colocação de dívida deste montante a 7% é hipotecar o nosso futuro. Por isso, a menos que uma nova decisão a nível europeu surja entretanto – e aqui falamos das Eurobonds -, Portugal não irá conseguir resolver os seus problemas por si porque não consegue obter no mercado de dívida taxas de juro sustentáveis para se financiar. Mesmo que para tal proceda a uma operação de venda directa de títulos da dívida, como se noticia que irá fazer na próxima quarta-feira, vendendo os títulos à China e ao Brasil. É que então, a pressão da Alemanha e da França não será leve no sentido de evitar que a subida dos juros portugueses acarrete a subida dos juros espanhóis. É assim que aparece o FMI com todas as consequências nefastas que resultam da sua intervenção, mas com uma vantagem de que Portugal cada vez mais necessita: financiamento a taxas de juro sustentáveis. Obviamente que tal implicará uma nova vaga de austeridade, com a implementação de medidas mais duras, de reformas mais exigentes, mas caso Portugal não inverta rapidamente a tendência da escalada dos juros, o caminho é inevitável.

E percebemos claramente que os indicadores macroeconómicos positivos evidenciados pelo País já não são suficientes para acalmar os mercados. Mesmo sendo o crescimento sendo o dobro do previsto para este ano e com o anúncio do cumprimento da meta de redução do défice para 7,3% em 2010, os juros da dívida pública não descem. Isto apenas significa uma coisa: é que para que a tendência se inverta, alguma notícia positiva terá de ser dada por Bruxelas e não por Portugal pois os indicadores portugueses já de pouco servem para os mercados. E essa notícia parece pouco provável face à intransigência alemã perante as Eurobonds.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

O BPN e as Presidenciais

Depois dos debates, a campanha presidencial é marcada pelo caso BPN. E não é marcada pela discussão em torno do dinheiro que o Estado foi obrigado a depositar no BPN, nem nos respectivos custos para os contribuintes, mas sim pelo negócio de compra e venda de acções de Cavaco Silva na SLN, sociedade detentora do BPN.

Todos os candidatos de esquerda veementemente exigem esclarecimentos por parte de Cavaco. O Presidente remete para a sua declaração de rendimentos entregue ao Tribunal Constitucional. Uma coisa é certa: Cavaco declarou a operação e pagou os impostos correspondentes. Outras coisas permanecem incertas: a quem foram vendidas as acções? Como foi realizado o contrato de compra e venda? A mesma operação, realizada por outras pessoas, no mesmo espaço de tempo, obteve uma rentabilidade semelhante?

Pois bem, Cavaco recusa-se, para já, a responder a estas questões. As sondagens são claramente favoráveis ao actual Presidente; os debates televisivos correram-lhe de feição. Como tal, apenas um evento imprevisível poderia atrapalhar a sua reeleição logo à primeira volta. Não cremos que o caso BPN seja esse evento que possa gerar uma reviravolta nas sondagens. Mas uma coisa é garantida: este problema em nada beneficia Cavaco. Pelo que não se compreende a sua recusa em dar mais esclarecimentos sobre o caso, permitindo que os seus adversários o continuem a atacar com o tema. Por isso, Cavaco apenas teria a ganhar em prestar os devidos esclarecimentos. O seu silêncio apenas é compreensível à luz de uma razão: é que o seu silêncio pretende ocultar algo que ainda não veio a público e que lhe é prejudicial.

Além desta trapalhada, Cavaco envolveu-se, voluntariamente, noutra. Ou seja, quando questionado sobre os problemas do BPN, Cavaco, acossado, apressou-se a criticar a actual gestão do Banco. Uma critica que poderia acalmar a turbulência por alguns instantes. Sucede que Cavaco convidou para a sua Comissão de Honra o Presidente da CGD, Faria de Oliveira, e o vice-presidente, Norberto Rosa. Ora, sabendo que a CGD é responsável pela gestão do BPN, a que preside um dos seus vice-presidentes (Francisco Bandeira), o actual Presidente da República envolveu-se na malha de incoerência. Por um lado, critica a administração do BPN pelos problemas que o banco actualmente enfrenta; por outro, convida alguns dos responsáveis pela gestão do banco a fazerem parte da sua Comissão de Honra.

Não fosse isto suficiente, Cavaco convidou ainda alguns ex-dirigentes do BPN para a sua Comissão de Honra. O que, na nossa opinião, é ainda mais grave. É que a actual administração do BPN está a tentar solucionar os problemas que lhe foram causados pelas anteriores administrações, problemas esses que, nalguns casos, configuram crimes. É certo que dos nomes presentes na Comissão de Honra de Cavaco, nenhum deles é arguido no processo BPN. Mas se o Direito não pode exigir comportamentos moralmente irrepreensíveis – mas tão-só legalmente irrepreensíveis -, a Política, por outro lado, não se compadece com alguns tipos de comportamento. E são esses que Cavaco precisa de esclarecer.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Paz?



O território do Sudão, com o Sudão do Sul a laranja


O início de 2011 traz uma notícia animadora para o mundo – o conflito no sul do Sudão pode vir a ser resolvido, depois de 20 anos de guerra e de mais de dois milhões de mortos.
De 09 a 15 de Janeiro o Sudão do Sul vai às urnas e terá que optar pela secessão ou por continuar a fazer parte do maior Estado africano, isto no cumprimento do acordado no Tratado de Naivasha assinado em 2005, o qual conseguiu um cessar-fogo entre o Exército Popular de Libertação do Sudão e o Governo.

Mas em tudo há um grande risco – apesar de recentemente o presidente do Sudão, Al-Bashir ter prometido que iria respeitar o resultado do referendo, isso não é certo. Desde logo porque Al-Bashir é conhecido por muita coisa (desvio de fundos públicos, homicídios, genocídio, por ter um mandado de captura pendente no Tribunal Penal Internacional) mas não por ser um democrata… Há ainda que referir que o Sul do Sudão tem importantes jazidas de petróleo que podem condicionar todo o processo – como se viu com a província de Abyei que não vai a votos… E aqui pode estar o argumento para um futuro conflito territorial sul-norte.
Mas o respeito do Norte pelo referendo é apenas o primeiro passo para o fim do conflito. Ao tornar-se independente, o Sul do Sudão terá uma tarefa hercúlea pela frente: sem infra-estruturas, sem uma elite que dirija os assuntos públicos, sem instituições sólidas, podemos assistir a um estado fracassado. Se o Norte não respeitar, será a guerra generalizada: desde logo o Sul a lutar novamente pela sua independência, o Darfur com o seu conflito incessante, e os rebeldes no este do país…

Com a eventual independência do sul, o martirizado Darfur fica numa situação ainda mais confusa: poderá ver o sul integrado no novo Estado, com o norte e o centro ainda presos ao Sudão, lutando pela autonomia de um Estado (e presidente, convém individualizar os culpados) que armou as milícias muçulmanas com a finalidade de matar as tribos cristãs, numa limpeza étnica imensa que bem demonstrou a inutilidade de uma ONU configurada com um Conselho de Segurança todo-poderoso, que possa vetar tudo.

Mas pode ser que seja o princípio do fim para Al-Bashir e para o Sudão enquanto Estado aglutinador de inúmeros grupos étnicos com diferentes línguas e religiões.

Será que em 2011 nascerá um novo Estado em África? Estamos muito em crer que sim, isto se o Sudão reconhecer e respeitar a vontade da população do sul no referendo. Mas vamos a ver… Se tudo correr bem no Sul, o Sudão fragmentar-se-á: será que Cartum está preparada para largar o Império?

N’ Opinador estaremos atentos e expectantes por uma paz decisiva!

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

2011 - O que esperar dele?

Usualmente, o inicio de um novo ano civil é uma altura pródiga para se realizarem retrospectivas sobre o ano que acaba de findar. Nós, porém, propomo-nos a fazer exactamente o inverso: a realizar uma prospectiva sobre o ano de 2011. E o que esperar, pois então, de 2011?

Para a larguíssima maioria dos portugueses será o ano de maiores dificuldades das duas últimas décadas. O elevado défice orçamental e dívida pública depois de anos de incúria, eclodiu em 2010 e forçou, finalmente, o governo a tomar duras medidas no sentido de o reduzir.

A austeridade orçamental atinge, sobretudo, os funcionários públicos – exceptuando os açorianos – que verão os seus vencimentos reduzidos entre 3,5% a 10%, caso aufiram um valor superior a 1500€. E aqui fica uma questão: tendo em conta que o número de funcionários públicos em Portugal deverá situar-se entre os oitocentos e os novecentos mil, e que de entre esse número mais de quinhentos mil funcionários vão ser atingidos pelos cortes, como é possível que mais de metade dos funcionários de um Estado falido aufiram o dobro daquele que é o vencimento médio nacional? Para além de pensar no excessivo número de burocratas que pululam no Estado, é necessário pensar seriamente o seu vencimento como um problema estrutural da despesa do Estado.

Para além dos cortes salariais na administração pública, a austeridade orçamental estendeu-se também às pensões que, em 2011, irão ser congeladas. E veremos se ficaremos por aqui pois temos as nossas dúvidas. É possível que com o decorrer do ano – com ou sem FMI – sejam tomadas novas medidas, que passam pela redução das pensões (as mais elevadas, obviamente).

A austeridade salarial reflectir-se-á também no sector empresarial do Estado. Os cortes de 3,5% a 10% nos salários também são aqui aplicados – mas não só: muitas empresas públicas, obrigadas a programas de redução das despesas na ordem dos 15% pelo Ministério das Finanças, irão proceder a despedimentos de forma a cumprir as metas. Mas neste sector do Estado, igualmente importante é eliminar os cargos de chefias que não são necessários (relembramos que a CP tem um chefe por cada dezasseis trabalhadores) e onde os custos de salário são mais volumosos e onde se prodigalizam os chamados boys; controlar os vencimentos mais elevados das ditas chefias (relembramos que no ano passado, decorrido já o PEC1 e o PEC2, os altos administradores de algumas empresas públicas foram presenteados com aumentos salariais entre 10 e 30%); proceder a uma séria e rigorosa política de fusão e eliminação de institutos e empresas públicas inúteis que profusamente por aí existem.

Os cortes afectam também áreas essenciais como a saúde, onde os hospitais – à semelhança das outras empresas públicas – tiveram de apresentar planos de redução dos custos de 15%, gerando conflitos entre os respectivos administradores e o Ministério das Finanças. Neste ponto, uma outra questão: se a saúde, como bem universal e geral, irá enfrentar cortes avultados que afectaram a universalidade e a generalidade dos portugueses, o que sucede com o subsistema da ADSE? É, pois, justo que a generalidade dos portugueses veja reduzido o orçamento destinado ao SNS que se destina a todos os portugueses, mas que se mantenha intacto um subsistema concebido especialmente para os funcionários públicos?

A Educação e também afectada – sobretudo o ensino que detém contratos de associação celebrados com o Estado: recentemente, o Presidente da República, depois de uma querela eleitoralista, promulgou o diploma que prevê a redução do seu financiamento.

A austeridade, todavia, não se manifesta somente na redução das despesas públicas – mas também no aumento das receitas. Para além do já muito discutido aumento do IVA, um outro aumento das receitas entra de surdina em 2011: falamos do aumento exponencial das contribuições dos trabalhadores independentes graças à entrada em vigor do novo Código Contributivo.

A austeridade não termina no Estado: sendo ele a referência para os aumentos salariais no sector privado, espera-se, pois, face à redução de vencimentos na administração pública, uma grande contenção salarial nas empresas privadas.
Mas se a isto adicionarmos o aumento das despesas essenciais ao quotidiano dos portugueses como os combustíveis, a electricidade, o pão, os transportes, acima da inflação, espera-se, pois, que 2011 seja um ano de grande dificuldade.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Três



Não sei o que é o Amor. Só sei que o Amor é isto.

Desde pequenos que ouvimos infinitas vezes a história da princesa que busca incessantemente o seu príncipe encantado e que, como que movida por artes mágicas, o encontra miraculosamente. A narrativa termina sempre da mesma forma: “casaram-se e viveram felizes para sempre”. Já mais crescidos somos inundados de conversas a propósito da alma-gémea. Será que ela existe? Será que existe mesmo algures no cosmos um ser (pré)destinado a todos e a cada um de nós? Queremos crer que sim, independentemente das escolhas e trilhos que decidamos percorrer. Porque, no mais íntimo de nós, sabemos que o cerne da felicidade reside na existência do amor. O amor dos pais, dos irmãos, dos amigos é importante para podermos viver uma vida tranquila e feliz. Mas o amor daquele que nos traz um sentimento de completude e de partilha infinita é diferente, bem sabemos que o é. Desde o início dos tempos que o é e sempre o será. De todas as vezes que nos apaixonamos, sentimos a nossa alma invadida pelas interrogações: será este aquele, o tal? Julgamos inevitavelmente que sim até vermos tudo desmoronar porque sim ou porque não tinha que ser. Com o coração estilhaçado, longas são as noites que atravessamos até conseguirmos colar todos os cacos, um a um, enquanto ganhamos a coragem necessária para voltar a enfrentar o mundo lá fora, aquele mesmo que nos levou alguém que partiu sem sequer olhar para trás. E voltamos a tentar e voltamos a falhar e tentamos novamente, melhor, e falhamos novamente, melhor. Segundo um estudo publicado esta semana, para sermos felizes precisamos, acima de tudo e de qualquer coisa, de termos alguém a nosso lado que amemos e que nos ame. Pode não ser um dogma, mas sabemos que, quer por nos terem ensinado desde tenra idade que isso seria o normal curso da vida, quer por a nossa própria natureza o exigir, sempre será assim. Imbuídos por tudo isto, deixamos fluir a nossa existência. Até que ele, via de regra, chega. E correndo o risco de expor o meu romantismo incurável, desde o primeiro momento em que ele vem ao nosso encontro, sabemos que é ele. O tal príncipe das histórias, o tal que, segundo os mil e um estudos científicos, ficará a nosso lado e nos permitirá afirmar que somos indubitavelmente felizes. E, apesar de todos os receios que possam invadir por instantes a nossa mente ou dos conflitos normais decorrentes de uma relação entre seres humanos, a cada dia que passa, cada vez mais teremos a certeza que somos abençoados só porque ele existe e está mesmo a nosso lado, sorrindo.


É só porque existes e porque me dás a mão enquanto me olhas e me adivinhas o coração que todas as palavras que escrevo fazem sentido. Estou rendida à tua determinação, coragem, ambição e ao coração raro e grandioso que possuis. Fazes-me tão feliz que eternidade é o que te respondo quando me pedes para temporalizar o amor que sinto. Desde aquele momento, aquele em que me pediste o meu coração, dando em troca o teu, que agradeço aos céus por saber o verdadeiro significado de “nós”. Que o lar que já é nosso possa ser o espelho deste amor que cresce mais e mais a cada dia que passa e que nos torna um só. Obrigada por me teres oferecido o mais profundo de ti. A tua alma.

Eras a palavra que faltava aos meus textos. Encantadamente tua.

Não sei o que é o Amor. Só sei que o Amor é isto.