A mais bela, a mais pura e a mais duradoura glória literária de prosa da blogosfera

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sábado, 9 de abril de 2011

Mas afinal...De quem é a culpa?

Quarta-feira, 6 de Abril, a resistência portuguesa quebrou: o Primeiro-Ministro, o Sr. José Sócrates, anunciou o recurso português ao FEEF.

Sabemos hoje, naturalmente, que o pedido de ajuda externa implicará sacrifícios bem mais duros do que aqueles contemplados no PEC para 2012; sabemos, da mesma forma, que a descida das reformas superiores a 1500€ será o ponto de partida do novo programa de ajuda a Portugal. Mas isto não é nada de surpreendente; tudo isto era previsível no momento em que a oposição se juntou para chumbar o PEC. Entendemos o PCP e o BE. Ou melhor, há muito que desistimos de o fazer – não são partidos vocacionados para o poder. O PCP já o demonstrou ao longo da história da democracia partidária portuguesa; o BE, desde a sua fundação, também. Agora o que leva o CDS e, sobretudo, o PSD a fazê-lo?

O PSD acusa o Governo de ser o principal responsável pela situação em que o País se encontra; que este Governo lidera os destinos do País há 6 anos. Mas retrocedamos no tempo. Maio de 2010: altura do primeiro PEC. Responsavelmente, consciente da situação do País, o PSD apoia o Governo na tomada de medidas de consolidação das finanças públicas; e o mesmo viria a suceder com as medidas adicionais que viriam a revelar-se necessárias no segundo e terceiro PEC face ao descontrolo orçamental que se verificava. Dezembro de 2010: negociação do Orçamento. O PSD ciente da má execução orçamental, acusando mesmo o Governo desse facto, aceita negociar o Orçamento para 2011; e fá-lo impondo, não negociando – porque nada propôs. E tanto assim foi que das negociações resultou um rombo no Orçamento para que o acordo fosse firmado; rombo esse que nunca foi preenchido, ficando a meta orçamental de 4,6% de défice público para 2011 em risco. Teria o PSD razões para convocar uma crise política nesta altura? Certamente teria: a execução orçamental foi um verdadeiro descontrolo apenas encoberto pela inclusão do fundo de pensões da PT. Mas ainda assim o PSD não provocou uma crise política – e bem, diga-se.

O que sucedeu desde então? Que motivos levaram o PSD, neste momento, a responsabilizar o Governo? Que motivos tem o PSD em 2011 que não tinha em 2010? Em 2011 a execução orçamental vem sendo escrupulosamente cumprida; os líderes europeus acordaram novas medidas destinadas a acalmar os mercados sobre a crise do euro, aumentado o montante do Fundo de Estabilização e flexibilizando-o parcialmente; a Comissão Europeia e o BCE encorajaram as reformas prosseguidas por Portugal. Tendo em conta, pois, a conjuntura que motivos pode o PSD invocar em 2011 que não tivesse já não disponíveis em 2010? Mais: que motivos são esses que levaram o PSD a não votar favoravelmente a moção de censura apresentada pelo Bloco um par de semanas antes de chumbar o PEC? Ora, a resposta é – absolutamente nenhuns, exceptuando o puro interesse partidário. Em 2010 o PSD elegera um novo líder; necessitava de tempo para poder recuperar a confiança dos portugueses para que isso se reflectisse positivamente nas sondagens; não pretendia responsabilidades governativas pois pretendia que o PS arcasse com as responsabilidades governativas e da imposição de sacrifícios, ao mesmo tempo que se desgastava nas sondagens. Em 2011, com as sondagens a favorecerem a criação de uma crise política, o PSD não perdeu tempo em trair o seu País. E traiu-o na pior altura de todas.

É o PEC o motivo para a queda do Governo? Como pode o PSD invocar como motivo para a criação de uma crise política a descida das reformas superiores a 1500€? Não se trata, como se o seu líder tem vindo publicamente dizer, de reformas baixas; não se trata de uma medida socialmente injusta; aumentar o IVA como o seu líder diz pretender – isso sim seria socialmente mais gravoso e mais injusto: o IVA é um imposto regressivo: não distingue entre rendimentos; além do mais, esquece-se o Sr. Pedro Passos Coelho do efeito nefasto que o aumento do IVA teria no aumento do preço dos bens. É isso que V. Ex.ª defende como socialmente justo? Mas não só: o PSD provocou conscientemente uma crise política, recusando o PEC para 2012, um PEC socialmente justo, obrigando o seu País a recorrer à ajuda externa com todas as consequências que daí decorrem: a Sra. Merkel já veio dizer que o programa de Portugal implicará, desde logo, aquilo que foi rejeitado pelo Parlamento português; o Ministro das Finanças da Finlândia, o Sr. Jyrki Katainen, veio também dizer que o Programa de ajustamento terá de ser “ainda mais duro e mais abrangente” do que o PEC 4. Imaginemos que o Sr. Passos Coelho vence as eleições: como irá V. Ex.ª comunicar aos portugueses a descida das reformas que V. Ex.ª agora nega que irá fazer? Sim, V. Ex.ª - porque elas terão de ser descidas; porque Bruxelas assim o deseja e Bruxelas está-se marimbando para o que V. Ex.ª disse. É, pois, V. Ex.ª assim tão nobremente distinta do Engenheiro Sócrates como V. Ex.ª tão pomposamente se gaba?

O recurso ao FEEF seria inevitável? Talvez…mas a verdade é que graças ao PSD nunca o saberemos. E diremos até que seria legítimo ao PSD provocar eleições antecipadas se o recurso ao FEEF se concretizasse; mas esse recurso teria de ser responsabilidade exclusiva do Governo. O que o PSD fez foi empurrar Portugal para esse pedido de ajuda externo, sacrificando o interesse nacional pelo interesse partidário. Veja o leitor o que se passou na Irlanda: o Governo do Sr. Cowen pediu ajuda externa; o programa de ajuda foi negociado; o Sr. Cowen demitiu-se; foram convocadas eleições antecipadas das quais a oposição, liderada pelo Sr. Kenny saiu vencedora. Eis como se procede correctamente. Inversamente, o PSD decidiu precipitar o país para a ajuda externa para satisfazer o seu interesse pessoal: empurrando o país para a ajuda externa de forma a convocar as eleições antecipadas e não o contrário.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Humores à 6a - José Sócrates

No dia em que começa o XVII Congresso Nacional do PS em que Sócrates vai ser escolhido, n' Opinador também o escolhemos para nos animar.




Por Carlos Jorge Mendes:

Tudo o que desejamos para que Portugal consiga obter um pacote de ajuda razoável junto da União Europeia e do FMI é que as negociações não sejam conduzidas pelo Primeiro-Ministro e pelo Primeiro-Ministro, expressando-se e negociando em inglês.



Por Letícia, a Marquesa:

"Depois de tantas mentiras e falsidades, confesso, Caríssimos, que ainda tenho dúvidas acerca do pedido de ajuda externa. Será que foi mesmo feito? É que tudo o que sai da boca do nosso ex-Primeiro é sempre dúbio. É que se não o fosse, então também teríamos actualmente mais 150 mil empregos, um défice menor, as taxas de impostos ter-se-iam mantido, um Primeiro-Ministro Engenheiro... Será que Sócrates foi concebido a 1 de Abril?"



Por Madame Pompadour:

Porque se ele é mentiroso, dissimulado, irrealista entre outras coisas susceptíveis de ferir as sensibilidades mais frágeis, se há coisa que ele não é, é abandalhado e descuidado. Safado sim, mas parecer feio não!



E, por Lord Nelson:

Sócrates, Sócrates, Sócrates... És boa pessoa porque tens bons amigos: quiseste fazer casitas, eles contrataram; quiseste ser engenheiro, eles arpovaram-te; quiseste uns trocos, eles arranjaram-te; quiseste ser ministro, eles nomearam-te; quiseste ser primeiro-ministro, eles escolheram-te, quiseste aldrabar, eles acreditaram... Quando é que te vais querer ir embora? Mas de vez?



Deixamos só este para lembrar o eleitor... Já que o tipo parece que não se vai lembrar e (mais uma vez) vai dar o dito por não dito.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

βοήθεια! (Ajuda)




"Não estou disponível para governar se o FMI vier a entrar em Portugal".
José Sócrates, 19 de Março de 2011




Apesar de ontem o primeiro-ministro ter começado a manhã a aldrabar os seus concidadãos, dizendo que não ia pedir ajuda, acabou o dia, pedindo. Tocas e baldrocas a que já estamos habituados.


Começa agora uma nova etapa (e de importante trabalho) em que vão ser definidos os termos da intervenção externa. Desta vez, e ao contrário do que sucedeu na Irlanda e na Grécia, as negociações serão mais difíceis pois é necessário incluir na equação a oposição. No entanto, o principal partido da oposição está com uma postura colaborante, pelo que, não deve haver grande entrave.


Aqui chegados importará pensar porque motivo a ajuda não foi pedida o ano passado ou no primeiro trimestre deste ano: o PS queria bem usar a retórica do "nós" (PS) contra "eles" (PSD+CDS+FMI/FEEF):


"Este é o momento dos portugueses escolherem se querem um Governo com o FMI ou sem o FMI"

José Sócrates, 27 de Março de 2011

E foi por este motivo (ou então por pura incompetência) que o Sr. Sócrates endividou o nosso país, com juros inéditos na nossa História, a rondar os 11% (Lembram-se dos 7% do Teixeira?). É fundamental penalizar (até pela saúde da nossa democracia) este indivíduo nas próximas eleições: por ter posto o seu interesse pessoal à frente do nacional, por ter persistido na sua teimosia até ao ponto de um leilão de dívida pública não ter procura suficiente, mas por cima de tudo, por ser um político sabujo que, dias após ter dito que não sabe governar com a ajuda do FMI (ou FEEF que é a mesma coisa, acrescentamos nós), pede-a e mantém-se como putativo candidato. Uma vergonha!

O consulado de Sócrates vai decerto ficar na História como um dos piores momentos da Nação: daqui a 20 anos, quando olharem para estes tempos, verão um país que perdeu uma década, que nada deixou de construtivo, sem ética, sem participação cívica, com um governo irresponsável e irresposabilizado.


Permitimo-nos levantar a duvida acerca da legitimidade que um Governo de gestão tem para pedir esta ajuda. O politicamente correcto não gosta desta questão. Mas, se há Direito, é para ser cumprido como tal, até por argumentos de segurança e certeza. Ignorar esta questão é abandonar o princípio do Estado de Direito. Se a Constituição está mal feita, com buracos e pejada de ideologias bacocas, há que mudar. Não defender o que está perdido.


Antes de terminar, chamamos a atenção para esta coisa caricata: o país olha para Cavaco! Vamos pois a um exercício histórico:


Em 1980, o governo da AD tinha por ministro das finanças Cavaco Silva. Este foi responsável por medidas como a valorização do escudo (dificultando as exportações), subida dos gastos orçamentais e subida das importações: o défice das transacções correntes subiu 5% (do PIB) em 1980 para 11,5% em 1981 e 13,2% em 1982. A dívida externa disparou de 467 para 1199 milhões de contos. A somar a tudo isto, o Prof. Cavaco Silva foi também responsável por um clima de crispação contra a liderança de Francisco Balsemão o que levou ao fim da AD e, nas eleições de Abril de 1983, à vitória do PS.


Depois de medidas gravosas tomadas por aquele partido e da eleição de Cavaco como presidente do PSD na Figueira da Foz, rompeu-se o Bloco Central, foi a eleições (1985) e ganhou, beneficiando da estabilização feita por outros. Depois, a maioria cavaquista, foi o que se sabe: o engordar da função pública, a política do betão e a rejeição da meritocracia no Estado (já para não falar dos Dias Loureiros e Oliveiras e Costas).


É pois este o mais alto magistrado da Nação para quem olha o país. Nós, já não vamos em cantigas e pouco ou nada esperamos de Monseiur le President.


O consulado de Sócrates não foi mau. Foi péssimo, tanto quanto que questão que se coloca é: sobreviverá Portugal a Sócrates? Sim claro, mas a que preço?



quarta-feira, 6 de abril de 2011

O Recurso ao FEEF

Noticia hoje o Financial Times que Portugal está já a negociar com a União Europeia um pacote de ajuda. O Jornal de Negócios reproduz declarações do Ministro das Finanças, afirmando que Portugal tem de pedir ajuda já. Isto não constitui novidade nenhuma. O momento da rejeição do PEC para 2012 na AR foi o momento em que Portugal recorreu ao FEEF. Portugal juntou à já sua debilitada situação económico-financeira, uma crise política que colocou em causa o já frágil compromisso político que assegurava as necessidades de financiamento. Os mercados, sobressaltados, deram um pulo da cadeira, levaram as mãos à cabeça e os juros da dívida dispararam, e dispararam precisamente no par de meses onde Portugal enfrenta maiores desafios de vencimento de dívidas – 10 mil milhões de euros em dois meses.

Nesta altura, o pedido de ajuda tornou-se inevitável; e tornando-se inevitável, o pior que Portugal pode fazer é adiá-lo, continuando a fomentar a instabilidade dos mercados que, a cada dia que passa, castigam os juros da dívida pública portuguesa. Não há reforma europeia no horizonte ou uma brilhante execução orçamental que nos valha. A situação é bem diferente da situação de há uns meses atrás: por essa altura ainda se discutiam os contornos da resposta europeia à crise, falava-se de eurobonds, as taxas de juro a que Portugal se financiava eram elevadas, mas suportáveis no curto prazo, com o fim de recorrer ao pedido de ajuda externa. Nada disso existe agora.

O Sr. Fernando Ulrich tem uma opinião ligeiramente diferente. Este senhor que durante meses defendeu que Portugal devia, a todo o custo, evitar o pedido de ajuda externo, vem agora afinal dizer que Portugal já devia ter pedido ajuda há muito. Não estranhamos – como o fez o Sr. Ricardo Salgado – que os banqueiros digam que Portugal tem de pedir ajuda agora. Estranhamos sim que o Sr. Fernando Ulrich diga uma coisa há uns meses atrás, dizendo outra agora, retroagindo essa afirmação a esse tempo. O que justifica esta posição? Esmiucemos… Os bancos, claro, receando os stress tests que se aproximam não querem afectar os seus resultados que podem ficar seriamente comprometidos se expostos em demasia à dívida pública de um País como Portugal; por outro lado, a notação da dívida da República Portuguesa vem rolando por aqui abaixo, aproximando-se agora da classificação de «Junk». E isto não é um dado da menor importância. A partir desta classificação, a banca não poderá apresentar os títulos da dívida pública portuguesa como colateral no BCE, sem que primeiro Portugal recorra ao FEEF. A partir desta altura, do ponto de vista dos bancos, obter liquidez junto do BCE a 1% e depois financiar o Estado português a 6 ou 7% já é definitivamente mais arriscado. Compreendemos, portanto, a perspectiva da banca que não pode, eternamente, sustentar a gula do Estado português; agora, não podemos concordar com o tom quase angelical e patriótico dos banqueiros que durante um ano andaram a reboque do Estado português, financiando-se a 1%, e emprestando a 6%, vindo agora quase dizer que o financiamento do Estado Português vinha sendo feito por razões patrióticas. A banca não financia mais o Estado português porque isso tornou-se-lhe arriscado, não por patriotismo. E não podemos concordar sobretudo com estas declarações do Sr. Fernando Ulrich que durante um ano financiou de uma forma muito lucrativa para a sua instituição o Estado português, afirmando, então, que Portugal devia resistir até ao último português a um pedido de resgate, e agora, convenientemente, olhando para a conjuntura, vem descaradamente dizer que Portugal já devia ter pedido ajuda há muito.


Entretanto, por cá, enquanto se negoceia um pacote de ajuda externa com todas as consequências gravosas daí decorrentes para o povo português, quer o estimado leitor como se vai entretendo parte dos políticos portugueses? Quer o leitor saber que exemplo pretendem dar nesta altura aos portugueses os políticos? Ora bem, o Sr. Bagão Félix, recém-chegado ao Conselho de Estado, seguiu o velho ditado romano: veni, vidi, vici. O Sr. Bagão Félix acusou o Sr. Primeiro-Ministro de mentir na entrevista que concedeu recentemente à RTP, quando afirmou que um pedido de empréstimo de curto prazo não fora abordado na reunião do Conselho de Estado; o Sr. Almeida Santos veio desmentir o Sr. Bagão Félix; o Sr. António Capucho veio por sua vez dizer que o Sr. Bagão Félix falou a verdade; e o Sr. Carlos César veio depois dizer que não – que o Sr. Primeiro-Ministro e o Sr. Almeida Santos é que falaram a verdade. À luz destes episódios, quer o leitor adivinhar o triste debate intelectual que vai anteceder as eleições de Junho?

domingo, 3 de abril de 2011

Real esperança

Na passada semana, o PSD apresentou ao seu Conselho Nacional as linhas gerais do seu programa eleitoral para as próximas eleições legislativas, a realizar a 5 de Junho.

Neste programa, são definidos 5 grandes pilares estratégicos para as políticas a levar avante por um Governo liderado por Passos Coelho. Ora vejamos alguns dos seus principais traços:


- Pilar 1: Sociedade Civil e Instituições – fomento da cidadania; reforma do sistema político; aprofundamento dos regimes de autonomia dos Açores e da Madeira; renovação do sistema judicial; transparência nas relações do Estado para com os cidadãos;

- Pilar 2: Crescimento Económico e Emprego – programa de estabilização financeira orientado para os problemas do endividamento externo e da dívida pública e para o fortalecimento do sistema financeiro e do tecido empresarial;

- Pilar 3: Estado Eficiente e Sustentável – racionalização e dignificação do Sector Público Administrativo; reavaliação dos investimentos na base da lógica custo-benefício no Sector Empresarial e do Estado; qualificação dos recursos humanos e sistema de saúde;

- Pilar 4: Sustentabilidade, Inclusão e Solidariedade Sociais – reafectação de fundos do actual QREN, reduzindo a componente afecta às infra-estruturas; criação de mais empregos; reforço da solidariedade social;

- Pilar 5: Política Externa ao Serviço do Desenvolvimento – promoção das exportações, de apoio à internacionalização das empresas portuguesas e na captação de investimento dos portugueses não-residentes.



Tal como Passos Coelho afirmou, aquando da apresentação deste programa, vai ser aberta “uma janela de esperança e confiança”.

O Presidente do PSD assegurou ainda que o partido não subirá os impostos, contrariamente ao que o PS tem feito questão de veicular através da imprensa. A confusão (propositadamente) causada pelo PS, que teima em reafirmar que o PSD vai aumentar os impostos, apenas revela a sua tentativa de muito mau tom de derrube do PSD da ribalta que merece. Denota-se, ainda, por parte do PSD, uma (intencional) dificuldade de interpretação. Passos Coelho não disse vez alguma que iria aumentar os impostos, mas sim que, “para cumprir as metas de redução do défice – com a qual se compromete – preferia uma subida dos impostos sobre o consumo do que ir às pensões”.

Passos Coelho reitera que o último pacote de austeridade não iria potenciar o crescimento, mas impor sacrifícios inaceitáveis aos membros mais vulneráveis da sociedade, com demasiados impostos e uma redução de despesa insuficiente.

O PSD apresenta um programa claro e realista para responder aos graves e emergentes problemas de Portugal, dizendo que uma ampla coligação ajudará à confiança dos mercados e ao próprio processo político.

Passos Coelho aponta-nos, assim, uma luz ao fundo deste túnel escuro e sombrio que estes longos anos de governação PS nos tem feito calcorrear! Oxalá!

A vida está má, está! Até para os marqueses!

sábado, 2 de abril de 2011

A Reforma de Portugal (I)

O triunfo da próxima geração de estadistas assenta num desafio: como reformar o Estado Social, diminuindo o alcance da sua intervenção conformadora, e ainda assim, garantir a prosperidade da sua Nação. Este é o desafio de toda a Europa e em particular de Portugal onde o Estado Social assumiu uma configuração extremista, resvalando para um Estado paternalista. A iminência de um resgate europeu e do FMI em nada contribuirão para as reformas indispensáveis ao Estado Social em Portugal: sacrificando o crescimento pela austeridade, um resgate apenas se destina a evitar a bancarrota de Portugal; retira Portugal do mercando de financiamento onde o País não consegue obter liquidez a uma taxa de juro sustentável apenas para o submeter a uma outra pouco menos que isso. E pior: o pedido de ajuda externa apenas se limitará a um apertado escrutínio do cumprimento de um conjunto de medidas de austeridade para consolidação das finanças públicas. O futuro e as reformas que o consolidarão serão essencialmente da responsabilidade da classe política portuguesa. E, estimado leitor, este aspecto deixa-me preocupado. O desafio do próximo Governo será, portanto, tremendo: decerto o seu mandato político estará fortemente condicionado pela consolidação das finanças públicas e as imposições das instituições europeias e internacionais; mas esse Governo está não só livremente mandatado, como obrigatoriamente mandatado para arquitectar as reformas que invertam o caminho fatalista que Portugal segue há três décadas e que três décadas de laxismo político não alteraram.


Nesse período de tempo o mundo evoluiu extraordinariamente; e enquanto as outras nações se preparavam para o progresso da Civilização, aumentando a sua competitividade, reformando-se, Portugal adormeceu. Este período de tempo em que Portugal permaneceu tranquilamente no seu leito, ressonando, assobiando, coincidiu com o período da globalização – fenómeno pelo qual as economias se abriram e as barreiras ao comércio mundial foram eliminadas. Algumas nações prepararam-se para esse combate e enriqueceram. Portugal, como dissemos, colocou confortavelmente a cabeça sobre o travesseiro, adormeceu e empobreceu; umas nações cresceram, outras ficaram para trás – nós, claro, ficamos para trás. O capital, como sabemos, é móvel; com a globalização deslocou-se para as regiões que lhe ofereciam possibilidade de rentabilizar o seu investimento. Portugal porque adormeceu, porque não se preparou para os modernos desafios não é uma dessas regiões. Consequentemente, o capital rodou sobre os calcanhares e fugiu de Portugal, terreno inculto para o investimento. O capital – esse sacana para a extrema-esquerda (sobretudo o grande) que cria emprego, investimento, indústria, prosperidade, riqueza – por ter deixado Portugal, deixou-o precisamente sem emprego, sem investimento, sem indústria, sem prosperidade, sem riqueza e foi para outros lados onde o recebam mais condignamente. Porque o capital é móvel, e porque se escapuliu para outras terras, resta apenas um meio para o Estado financiar as suas despesas: aumentar o imposto sobre o rendimento das pessoas singulares que não é móvel. Porque Portugal não consegue atrair o capital – repetimos: esse sacana para a extrema-esquerda – e porque tem uma carrada de despesa para financiar, o que o Estado faz é sufocar os contribuintes de impostos para suportar a sua máquina. Sufocar os contribuintes de impostos tem um efeito nefasto: diminui-lhes o rendimento disponível e, portanto, menos espaço para consumir aquilo que a economia produz. Por conseguinte, a economia estagna. Para complicar tudo isto sucede que os investimentos do Estado realiza à custa da receita arrecadada são todos falhados: nenhum tem efeito multiplicador sobre a economia. E assim a economia permanece estagnada; porque a economia estagna e o Estado não diminui os seus gastos, antes os aumenta, ele não consegue com a receita fazer face à despesa. Até que um dia, um iluminado bate com a mão na testa e lembra-se: - E se subíssemos os impostos? Todos à sua volta batem com a palma da mão na coxa: - Nunca me teria lembrado disso! Brilhante! Portugal segue neste ciclo vicioso há três décadas porque adormeceu, porque não se preparou para as lutas modernas da civilização e porque se mantém com a mesma configuração de há três décadas atrás quando o mundo mudou radicalmente desde então.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

George W. Bush

O leitor não ignorará que hoje é o dia das Mentiras - é o dia 1 de Abril. Mas não caro leitor: a Administração deste senhor apesar de anedótica, não foi nenhuma mentira. Este senhor nos anos em que presidiu aos Estados Unidos conseguiu colocar a maior potência mundial na maior crise económica desde a Grande Depressão pela falta de regulação financeira; o seu mandato coincidiu com a subida do défice e da dívida pública dos EUA para níveis astronómicos; com o período em que centenas de milhares de americanos perderam o seu emprego; pelo meio, conseguiu ainda colocar os Estados Unidos em duas guerras contra o terror, sendo que uma delas se baseia em informações secretas que afinal….não eram verdadeiras. Tudo isto nos serve para lembrar que as eleições são, de facto, alturas críticas e relembram-nos da importância de escolhermos idiotas para o mais importante cargo da Nação. E pensar que o Al Gore quase ganhava...Sacana da Florida! Falamos é claro de Geroge W. Bush. Aqui ficam alguns dos seus momentos best-of.

De Madame Pompadour


Se há coisa que claramente aborrece os políticos são os protocolos e os encontros oficiais com outras figuras de Estado. E isso é tão notório, que basta qualquer comum mortal pôr-se nessas situações para pensar: "Bolas...que grande seca!", mas convenhamos, são ossos do ofício. No entanto o saudoso Bush não era de engolir os sapos viscosos e a sua fenomenal expressividade falava por si.





De Letícia, a Marquesa


George W. Bush foi um Presidente que deixou saudades. Os seus discursos eram miraculosos, sobretudo para os jovens que padecem daquele mal chamado insónias. Não é que curou muitos? Quando falecer, decerto será beatificado...




De


Lord Nelson


Não sabemos dizer mal de George W. Bush... Por isso vamos dar-lhe a palavra... ficam aqui os 10 melhores momentos do seu consulado!




De Carlos Jorge Mendes


Da nossa parte, confessamos abertamente: sentimos falta de George W. Bush. A Casa Branca está mais séria, mas muito menos divertida...E o Daily Show não se aguenta só com o Glenn Beck. Por isso, adiantamos em primeira mão ao leitor notícias que nos chegam dos States: George W. Bush está a preparar o seu regresso, inspirado no "Discurso do Rei". Vejam só quem é o seu inesperado conselheiro.