Quando alguém decide pela publicidade de um livro revelar aquilo que de mais íntimo, de mais precioso e de mais humano existe em nós, partilhando com os outros um pouco do seu mundo, das suas ideias, dos seus sentimentos, das suas emoções, registando, enfim, para a posteridade a pegada que a sua existência deixou na terra - esse alguém só pode merecer o nosso aplauso. Fazê-lo com a elevação, com a subtileza, com o rasgo, com a verve, merecerá não só o nosso o aplauso, como acima de tudo a nossa admiração. Por isso, ao leitor, aqui fica uma sugestão de leitura - do Sr. Dr. Pedro Ribeiro, que para além de poeta, temos a honra de chamar amigo, encontra-se disponível aqui, o seu livro de poemas, intitulado "X".
sábado, 8 de outubro de 2011
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
Madeira
Numa semana em que, sabe lá Deus como, só se fala em buracos, nós resolvemos ser diferentes e viemos dedicar os nossos já imperdíveis Humores de Sexta à Madeira. Mas só à Madeira mesmo. Porque buracos na Madeira... Só se for do caruncho!...
Carlos Jorge Mendes
Para o leitor confirmar a elevada inteligência do Sr. Jardim considere esta situação: o Sr. Jardim fala perante os jornalistas, insultando os mesmos jornalistas, mas do continente. Então para ser delicado, sua excelência, chama-os de bastardos porque não os quer chamar de filhos da puta...Ups...Parece que afinal sua excelência acabou de pronunciar o insulto que pretendia omitir ao chamá-los de bastardos.
M. Pompadour
De facto...aqui está uma pergunta pertinente que ainda pouca gente se deve ter lembrado de fazer. Onde raio é o buraco? É que podia salvar muita coisa neste país.
Leticia, a Marquesa
O caso de Alberto João Jardim e do povo do arquipélago do PSD foi já amplamente estudado por biólogos e antropólogos. O próprio Charles Darwin, ao voltar da Patagónia, passou pelo Funchal e relata nos seus apontamentos as observações que fez:
Carlos Jorge Mendes
Para o leitor confirmar a elevada inteligência do Sr. Jardim considere esta situação: o Sr. Jardim fala perante os jornalistas, insultando os mesmos jornalistas, mas do continente. Então para ser delicado, sua excelência, chama-os de bastardos porque não os quer chamar de filhos da puta...Ups...Parece que afinal sua excelência acabou de pronunciar o insulto que pretendia omitir ao chamá-los de bastardos.
M. Pompadour
De facto...aqui está uma pergunta pertinente que ainda pouca gente se deve ter lembrado de fazer. Onde raio é o buraco? É que podia salvar muita coisa neste país.
Leticia, a Marquesa
O caso de Alberto João Jardim e do povo do arquipélago do PSD foi já amplamente estudado por biólogos e antropólogos. O próprio Charles Darwin, ao voltar da Patagónia, passou pelo Funchal e relata nos seus apontamentos as observações que fez:

«O elo que faltava entre o homem e uma forma de vida primitiva pode residir nos espécimes que observei num comício do PSD na ilha do Funchal. Em nenhuma ocasião anterior a este comício do PSD Madeira, me foi dado a observar um número tão elevado de caucasianos com traços tão semelhantes, evidentemente fruto de consanguinidade, a mesma que encontramos na Papua Nova-Guiné ou nos nativos da Amazónia. Aqui, o processo de selecção natural não parece ter tido lugar, uma vez que estas gentes vivem protegidas das ameaças normais que afectam os outros povos, como a pobreza e a fome, as invasões militares, liberdade de imprensa ou as condenações jurídicas. Explicam-me que Portugal financia este habitat, transferindo riqueza e recursos para a sua defesa, impedindo que os habitantes sejam exterminados por uma espécie mais desenvolvida. Não encontrando qualquer explicação para este facto, julgo pois tratar-se de uma grande e onerosa experiência científica. Não posso deixar de ficar preocupado. A humanidade contraria frequentemente o processo de eliminação natural. Construímos asilos para os imbecis e os doentes, ajudamos os pobres e a ciência médica faz o impossível para salvar os fracos nos hospitais. Assim, os elementos inferiores da espécie humana propagam a sua fraqueza e impedem o refinamento da raça. Aqui, em nome da ciência, aplicam este princípio a toda uma ilha povoada por militantes do PSD Madeira que, de acordo com as minhas observações, podem muito bem constituir o elo que faltava entre a raça humana e uma forma de vida um pouco mais evoluída que o chimpanzé. Esta conclusão não é final, pois o espécime que tem aqui o estatuto de xamã ou líder tribal, Albertus Joannis Jardinus, parece ser mesmo uma forma de vida inferior aos gorilas mais sofisticados do Zoo de Londres.Levanta-se a questão do próprio gorila ou do chimpanzé ser o elo entre o homem ocidental e o militante do PSD Madeira e não o oposto. Uma coisa parece ser clara: num contexto em que é garantida subsistência a uma espécie e lhe é garantida protecção de todas as ameaças, a espécie dotada de características como a apetência para a corrupção e a pantomina simiesca, pode dominar e procriar com mais velocidade, uma vez que está mais adaptada a um contexto em que as normais ameaças não se fazem sentir.

Apesar da minha preocupação quanto ao resultado final desta onerosa experiência científica, admito que a observação desta ilha me forneceu dados tão ou mais interessantes que os recolhidos na Patagónia. Espero que a experiência e as suas consequências se limitem ao estado português. Felizmente, os povos mais evoluídos do norte da Europa não serão afectados por mecanismos tenebrosos do tipo "comunidade económica e financeira" ou, algo ainda mais absurdo, uma "moeda única". Fica aqui, contudo, o meu agradecimento ao estado português e ao povo de Portugal, pelo bem da ciência.» - Charles Darwin, 1833
(com a devida vénia, retirado do blog do Tolan)
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
Ser Monárquico no século XXI
Fará sentido ser monárquico nos tempos que correm? Defender uma ideia tão velha, coisa ultrapassada da nossa história? E porque não preferir o sistema republicano que parece tão mais democrático e tão mais lógico? Tais são as questões que regularmente nos são colocadas e que demonstram, com o devido respeito, uma abordagem muito ligeira da questão.
Primeiramente julgo que faz sentido defender a restauração monárquica em Portugal, por três grandes ordens de razões: porque é uma forma de Governo mais coerente, porque promove a coesão nacional e porque constitui um garante da liberdade política. Passamos a explicar:
No actual sistema constitucional português o chefe de Estado exerce o poder moderador (funcionando como um vigilante da actividade política e institucional e garante da Constituição) sendo eleito regularmente para o efeito. Ora o poder moderador, é extremamente parecido com a função de um árbitro: deve procurar dirimir os conflitos que, por sua natureza ou gravidade, possam perigar o regular funcionamento das instituições, constituindo tal até um fundamento para a dissolução da Assembleia da República. Mas se olharmos para a nossa experiência política, os cidadãos que exerceram o cargo de presidentes da República tinham atrás de si, um passado político muito intenso, cheio de actividades partidárias que, por definição, são plenas de combate ideológico. Tendo, portanto o chefe de Estado sido, e normalmente durante vários anos, uma parte no xadrez político, surge como muito estranho que, de um momento para o outro, se torne em árbitro totalmente isento, capaz de congregar à sua volta velhos e azedos inimgos.
Mais, essa isenção é completamente virtual no primeiro mandato, pois o presidente, que também actua no jogo político, precisa de não antagonizar a sua base de apoio de tal forma que, no fim do mandato, se recuse a voltar a apoiá-lo. Temos pois que a escolha de um árbitro entre os jogadores e a necessidade da reeleição (e pode colocar-se a questão de saber se a limitação dos mandatos, isto é, a limitação da vontade popular na eleição, está de acordo com os princípios democráticos) fazem com que um chefe de Estado eleito não esteja nas condições óptimas de ser um moderador eficaz.
Não é apenas por a república eleger para presidente o líder de uma determinada facção política que devemos preferir a forma monárquica de Governo. Ela tem que mostrar as suas virtualidades, para justificar uma mudança.
O Rei, enquanto instituição, representa a continuidade de um povo através da História, personificando em cada monarca concreto, o conjunto de valores, experiências e saberes que definem o povo enquanto tal. Se é verdade que tal não é aplicável em qualquer país do mundo, pelo facto de não ter um povo homogéneo ou uma História para tal, o facto é que Portugal é um verdadeiro Estado-Nação, dos mais antigos do mundo e com um sentimento de comunidade verdadeiramente notável, que a figura real bem personificou durante muito tempo – a nossa página mais dourada (os Descobrimentos) andará sempre associada à Ínclita Geração que, em si, representam todo o povo português de quinhentos, unido num desígnio comum.
Por fim, refira-se que a figura Real pode ser uma primeira linha de defesa da liberdade individual, em duas perspectivas: primeiramente nenhuma ditadura de inspiração marxista pode ser instaurada numa monarquia – é sempre necessário derrubar primeiramente o Rei (a Rússia do início do século XX é um bom exemplo). E se olharmos para o mundo actual, com a excepção dos países islâmicos, as Monarquias existentes são sempre democracias (pensemos no Japão, na Suécia, no Reino Unido ou na Espanha aqui tão perto) e nalgumas Repúblicas que por aí pululam (Cuba, Coreia do Norte, Venezuela). Mas no contexto europeu a figura real, pelo menos em Portugal, pode ser um garante contra tiques federalistas que cada vez mais se manifestam na cena política, e que ameaçam tornar-nos uma colónia alemã, num sonho pan-germânico de um IV Reich.
É por demais evidente que só faz sentido falar de Rei se o Rei for constitucional e integrado num sistema democrático de Governo – é fundamental que o Povo possa eleger o seu poder Executivo e Legislativo, pois é aí que se definem as grandes opções políticas e é aí que, por definição, actuam as vontades. O poder judicial e o poder moderador convém estarem entregues a regras pré-definidas para acesso aos cargos: o primeiro por via académica e concursal, o segundo por nascimento.
Não sinto que ser monárquico seja como estar isolado numa ilha política – com efeito, entre as camadas jovens assiste-se a um reviver da Causa, mas sobretudo, quem não se diz monárquico não quer dizer que seja necessariamente um republicano convicto – creio que a maioria dos portugueses não tem uma opinião definida sobre o assunto.
A forma republicana de Governo é tão velha como a monárquica e, ao longo dos tempos tudo é possível: basta olhar para a Espanha. Daqui a algumas décadas poderemos ter a conjuntura ideal para restaurar o Trono. Até lá, há que doutrinar!
Viva Portugal, Viva o Rei!
Primeiramente julgo que faz sentido defender a restauração monárquica em Portugal, por três grandes ordens de razões: porque é uma forma de Governo mais coerente, porque promove a coesão nacional e porque constitui um garante da liberdade política. Passamos a explicar:
No actual sistema constitucional português o chefe de Estado exerce o poder moderador (funcionando como um vigilante da actividade política e institucional e garante da Constituição) sendo eleito regularmente para o efeito. Ora o poder moderador, é extremamente parecido com a função de um árbitro: deve procurar dirimir os conflitos que, por sua natureza ou gravidade, possam perigar o regular funcionamento das instituições, constituindo tal até um fundamento para a dissolução da Assembleia da República. Mas se olharmos para a nossa experiência política, os cidadãos que exerceram o cargo de presidentes da República tinham atrás de si, um passado político muito intenso, cheio de actividades partidárias que, por definição, são plenas de combate ideológico. Tendo, portanto o chefe de Estado sido, e normalmente durante vários anos, uma parte no xadrez político, surge como muito estranho que, de um momento para o outro, se torne em árbitro totalmente isento, capaz de congregar à sua volta velhos e azedos inimgos.
Mais, essa isenção é completamente virtual no primeiro mandato, pois o presidente, que também actua no jogo político, precisa de não antagonizar a sua base de apoio de tal forma que, no fim do mandato, se recuse a voltar a apoiá-lo. Temos pois que a escolha de um árbitro entre os jogadores e a necessidade da reeleição (e pode colocar-se a questão de saber se a limitação dos mandatos, isto é, a limitação da vontade popular na eleição, está de acordo com os princípios democráticos) fazem com que um chefe de Estado eleito não esteja nas condições óptimas de ser um moderador eficaz.
Não é apenas por a república eleger para presidente o líder de uma determinada facção política que devemos preferir a forma monárquica de Governo. Ela tem que mostrar as suas virtualidades, para justificar uma mudança.
O Rei, enquanto instituição, representa a continuidade de um povo através da História, personificando em cada monarca concreto, o conjunto de valores, experiências e saberes que definem o povo enquanto tal. Se é verdade que tal não é aplicável em qualquer país do mundo, pelo facto de não ter um povo homogéneo ou uma História para tal, o facto é que Portugal é um verdadeiro Estado-Nação, dos mais antigos do mundo e com um sentimento de comunidade verdadeiramente notável, que a figura real bem personificou durante muito tempo – a nossa página mais dourada (os Descobrimentos) andará sempre associada à Ínclita Geração que, em si, representam todo o povo português de quinhentos, unido num desígnio comum.
Por fim, refira-se que a figura Real pode ser uma primeira linha de defesa da liberdade individual, em duas perspectivas: primeiramente nenhuma ditadura de inspiração marxista pode ser instaurada numa monarquia – é sempre necessário derrubar primeiramente o Rei (a Rússia do início do século XX é um bom exemplo). E se olharmos para o mundo actual, com a excepção dos países islâmicos, as Monarquias existentes são sempre democracias (pensemos no Japão, na Suécia, no Reino Unido ou na Espanha aqui tão perto) e nalgumas Repúblicas que por aí pululam (Cuba, Coreia do Norte, Venezuela). Mas no contexto europeu a figura real, pelo menos em Portugal, pode ser um garante contra tiques federalistas que cada vez mais se manifestam na cena política, e que ameaçam tornar-nos uma colónia alemã, num sonho pan-germânico de um IV Reich.
É por demais evidente que só faz sentido falar de Rei se o Rei for constitucional e integrado num sistema democrático de Governo – é fundamental que o Povo possa eleger o seu poder Executivo e Legislativo, pois é aí que se definem as grandes opções políticas e é aí que, por definição, actuam as vontades. O poder judicial e o poder moderador convém estarem entregues a regras pré-definidas para acesso aos cargos: o primeiro por via académica e concursal, o segundo por nascimento.
Não sinto que ser monárquico seja como estar isolado numa ilha política – com efeito, entre as camadas jovens assiste-se a um reviver da Causa, mas sobretudo, quem não se diz monárquico não quer dizer que seja necessariamente um republicano convicto – creio que a maioria dos portugueses não tem uma opinião definida sobre o assunto.
A forma republicana de Governo é tão velha como a monárquica e, ao longo dos tempos tudo é possível: basta olhar para a Espanha. Daqui a algumas décadas poderemos ter a conjuntura ideal para restaurar o Trono. Até lá, há que doutrinar!
Viva Portugal, Viva o Rei!
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
Dos Cortes no Ministério da Educação
Sua Excelência, o Sr. Nuno Crato, noticia a agência espanhola EFE, pretende abater 600 milhões de euros no Orçamento do Ministério da Educação. Desconhecendo ainda a natureza dos cortes pois o Sr. Ministro não os descriminou, aguardando-se pela publicidade do Orçamento de Estado para 2012, e falando prudentemente, temos, no entanto, a dizer que estes cortes são perigosos.
Não nos opomos a uma redução do Orçamento do Ministério da Educação estrategicamente pensada e julgamo-la até necessária e indispensável. É possível fazê-lo, sem com isso diminuir a qualidade do ensino.
O leitor considere, por exemplo, o ensino superior, onde o Sr. Nuno Crato pretende subtrair 100 milhões de euros. Se Sua Excelência estiver considerando que essa poupança resultará de uma política de fusão e extinção de instituições de ensino superior, nós aplaudimos V. Ex.ª porque é uma medida bem pensada que consegue um objectivo duplamente salutar – reduz custos e melhora, simultaneamente, a qualidade do ensino. Por isso, Excelência, humildemente, depomos ao cérebro de V. Ex.ª algumas ideias concretas.
Queira V. Ex.ª saber que há umas semanas atrás, lendo uma crónica do Sr. António Gomes Mota no Diário Económico, nos deparamos com um dos erros cometidos com a massificação do ensino em Portugal depois do 25 de Abril – a massificação das instituições de ensino superior. Logicamente que o aumento das redes de ensino não é má, Excelência; sê-lo-á, certamente, prejudicial quando esse aumento não é baseado em qualquer critério racional e não atende às variáveis oferta/procura e oferta/empregabilidade. Assim, pululam por este País fora instituições atrás de instituições, umas vazias, outras sem qualidade e outras ainda vazias e sem qualidade. Este desperdício de recursos públicos num país como o nosso, endividado, depauperado, quase insolvente, é incompreensível e criminoso. Narramos, por isso, a V. Ex.ª alguns exemplos que nos são transmitidos pelo Sr. António Gomes Mota.
Não nos opomos a uma redução do Orçamento do Ministério da Educação estrategicamente pensada e julgamo-la até necessária e indispensável. É possível fazê-lo, sem com isso diminuir a qualidade do ensino.
O leitor considere, por exemplo, o ensino superior, onde o Sr. Nuno Crato pretende subtrair 100 milhões de euros. Se Sua Excelência estiver considerando que essa poupança resultará de uma política de fusão e extinção de instituições de ensino superior, nós aplaudimos V. Ex.ª porque é uma medida bem pensada que consegue um objectivo duplamente salutar – reduz custos e melhora, simultaneamente, a qualidade do ensino. Por isso, Excelência, humildemente, depomos ao cérebro de V. Ex.ª algumas ideias concretas.
Queira V. Ex.ª saber que há umas semanas atrás, lendo uma crónica do Sr. António Gomes Mota no Diário Económico, nos deparamos com um dos erros cometidos com a massificação do ensino em Portugal depois do 25 de Abril – a massificação das instituições de ensino superior. Logicamente que o aumento das redes de ensino não é má, Excelência; sê-lo-á, certamente, prejudicial quando esse aumento não é baseado em qualquer critério racional e não atende às variáveis oferta/procura e oferta/empregabilidade. Assim, pululam por este País fora instituições atrás de instituições, umas vazias, outras sem qualidade e outras ainda vazias e sem qualidade. Este desperdício de recursos públicos num país como o nosso, endividado, depauperado, quase insolvente, é incompreensível e criminoso. Narramos, por isso, a V. Ex.ª alguns exemplos que nos são transmitidos pelo Sr. António Gomes Mota.
“Há, no país, no ensino politécnico, 8 Escolas Superioras Agrárias (Beja, Bragança, Castelo Branco, Coimbra, Portalegre, Santarém, Viana do Castelo e Viseu), que no conjunto oferecem cerca de 1400 vagas, tendo ficado por ocupar mais de 800, com Escolas com taxas de ocupação inferiores a 15% (Beja e Bragança). […] Outra ilustração, relacionada com a dimensão geográfica. Um primeiro retrata o efeito de proximidade. O Instituto Politécnico de Setúbal tem duas Escolas de Tecnologia, uma em Setúbal e outra no Barreiro e como resultado mais de 60% de vagas por ocupar no primeiro e mais de 70% na segunda. Um segundo caso representa também o movimento das últimas duas décadas de fazer chegar o ensino politécnico junto da casa de cada um. O Instituto Politécnico de Viseu tem Escolas de Tecnologia e Gestão em Lamego (mais de 70% de vagas por ocupar) e Tomar (mais de 60% de vagas por ocupar).”
Diz o Sr. António Gomes Mota que poderia facilmente citar outros casos, mas tal a sua a extensão que se tornam incompatíveis com a limitação das linhas da sua crónica. Ora, se V. Ex.ª actuar directamente nestas instituições, fundindo umas, extinguindo outras, estamos certos que V. Ex.ª obteria a poupança orçamental que deseja e melhoraria a qualidade da educação dos nossos alunos universitários. Afinal de contas, o que pretende V. Ex.ª: uma dúzia de instituições de qualidade medíocre e vazias ou meia dúzia de centros de excelência, com as vagas plenamente preenchidas?
Caso V. Ex.ª não considere devidamente a nossa proposta (ou outra de índole semelhante que atinja o mesmo objectivo), o corte que pretende implementar no orçamento do seu Ministério só pode merecer a nossa reprovação e a nossa censura. Porque note, Excelência – a educação é a fonte da mobilidade social e da redução das desigualdades; é a garantia pela qual alguém assegura melhor o seu sustento, a sua dignidade, o seu emprego, o seu salário; é o modo pelo qual os cidadãos se tornam mais úteis à vida intelectual da sua sociedade, participando das suas ideias e contribuindo para o seu progresso.
Pelo que se V. Ex.ª considerar reduzir o orçamento da Educação e com ele reduzir a qualidade da Educação, V. Ex.ª está a amputar tudo o que acabamos de narrar a V. Ex.ª e a amputar o progresso duma sociedade que necessita desesperadamente de trabalhadores educados e qualificados para desse modo aumentar a competitividade da Nação.
terça-feira, 4 de outubro de 2011
Cadê as Manifs?
Antes de mais dirigimos, em jeito de penitência, uma mea culpa ao leitor pela nossa prolongadíssima ausência destas lides blogosféricas mas África, o Alentejo e a ausência de modem provocaram um blackout na ala direita d’ Opinador. Nas augustas mãos do excelso leitor depositamos, pois, a nossa súplica por clemência.
Quando o governo de José Sócrates não conseguiu manipular mais a realidade porque o dinheiro já se tinha evaporado da tesouraria, Portugal pediu, como todos sabemos, ajuda externa (pela 3.ª vez nesta nossa 3.ª República). Nessa altura, a esquerda mais castiça (para não lhe chamar outra coisa) proclamou solenemente que não seriam colaboracionistas com o agressor estrangeiro, tendo-se recusado sequer a ouvir a troika e a prometer a agitação popular contra os desígnios do grande capital, movido pelas forças da reacção.
Mas os eleitores portugueses, cientes que um Estado que não pague a funcionários, nem a fornecedores, constituiu um grave problema, tomaram tal birra como irresponsável e deram uma banhada eleitoral, principalmente ao BE. (O PS colheu também uma agradável derrota, tendo menos votos que os conquistados por Santana Lopes, convém lembrar).
Das últimas legislativas resultou pois que os partidos do arco da governação que assinaram o memorando de entendimento (José Sócrates assinou dois, mas ele não conta) recolheram cerca de 80% dos votos apurados o que, a nosso modesto ver, significa que se o povo não está com a troika, pelo menos está ciente da necessidade imediata de fundos que, não vindo do mercado, têm de vir das instituições que bem sabemos. Apesar disto, e porque a luta sempre continua, a CGTP (que é o mesmo que dizer o PCP) convocou para o passado dia 1 de Outubro uma grande manif contra as medidas que estão a ser tomadas… E aqui é que e torna caricato. Os manifestantes que dizem representar o povo, não tomam em linha de conta que muitas das medidas que vêm sendo anunciadas resultaram da vontade popular expressa por ele próprio, há cerca de 100 dias.
Posto isto, o raciocínio complica-se… Apesar de ter podido expressar livremente a sua vontade soberana aquele povo clama já contra as medidas que, ele próprio, aprovou. Sob pena de considerarmos o povo português inimputável somos forçados a considerar que aqueles manifestantes não representam de facto o povo português, o mainstream para não chamar a maioria silenciosa, mas antes franjas marginais da opinião política, conotados com partidos anti-democráticos e que cheiram a mofo.
Meus amigos, 100 dias depois de uma eleição, com o governo a cumprir, na generalidade, o seu programa de governo que é decalcado dos objectivos de um memorando que recolhe cerca de 80% de apoio em urnas, fazer uma manif contra as políticas de direita é, convenhamos um pouco absurdo – é certo que estais no vosso direito, mas ó meus amigos, não havia necessidade…
O que o país necessita antes de mais é de estabilidade para conseguir por a economia a crescer – e depois precisa de uma reflexão séria sobre o modelo de Estado que pretendemos para as próximas décadas, pois o que até aqui trazíamos era, como se viu, insustentável.
Quis a Providência que voltássemos a postar apenas no dia a seguir ao da comemoração do infame golpe que derrubou a plurissecular dinastia de Bragança do trono português – portanto avisamos já o leitor que no dia 6 haverá por estes lados propaganda monárquica.
Quando o governo de José Sócrates não conseguiu manipular mais a realidade porque o dinheiro já se tinha evaporado da tesouraria, Portugal pediu, como todos sabemos, ajuda externa (pela 3.ª vez nesta nossa 3.ª República). Nessa altura, a esquerda mais castiça (para não lhe chamar outra coisa) proclamou solenemente que não seriam colaboracionistas com o agressor estrangeiro, tendo-se recusado sequer a ouvir a troika e a prometer a agitação popular contra os desígnios do grande capital, movido pelas forças da reacção.
Mas os eleitores portugueses, cientes que um Estado que não pague a funcionários, nem a fornecedores, constituiu um grave problema, tomaram tal birra como irresponsável e deram uma banhada eleitoral, principalmente ao BE. (O PS colheu também uma agradável derrota, tendo menos votos que os conquistados por Santana Lopes, convém lembrar).
Das últimas legislativas resultou pois que os partidos do arco da governação que assinaram o memorando de entendimento (José Sócrates assinou dois, mas ele não conta) recolheram cerca de 80% dos votos apurados o que, a nosso modesto ver, significa que se o povo não está com a troika, pelo menos está ciente da necessidade imediata de fundos que, não vindo do mercado, têm de vir das instituições que bem sabemos. Apesar disto, e porque a luta sempre continua, a CGTP (que é o mesmo que dizer o PCP) convocou para o passado dia 1 de Outubro uma grande manif contra as medidas que estão a ser tomadas… E aqui é que e torna caricato. Os manifestantes que dizem representar o povo, não tomam em linha de conta que muitas das medidas que vêm sendo anunciadas resultaram da vontade popular expressa por ele próprio, há cerca de 100 dias.
Posto isto, o raciocínio complica-se… Apesar de ter podido expressar livremente a sua vontade soberana aquele povo clama já contra as medidas que, ele próprio, aprovou. Sob pena de considerarmos o povo português inimputável somos forçados a considerar que aqueles manifestantes não representam de facto o povo português, o mainstream para não chamar a maioria silenciosa, mas antes franjas marginais da opinião política, conotados com partidos anti-democráticos e que cheiram a mofo.
Meus amigos, 100 dias depois de uma eleição, com o governo a cumprir, na generalidade, o seu programa de governo que é decalcado dos objectivos de um memorando que recolhe cerca de 80% de apoio em urnas, fazer uma manif contra as políticas de direita é, convenhamos um pouco absurdo – é certo que estais no vosso direito, mas ó meus amigos, não havia necessidade…
O que o país necessita antes de mais é de estabilidade para conseguir por a economia a crescer – e depois precisa de uma reflexão séria sobre o modelo de Estado que pretendemos para as próximas décadas, pois o que até aqui trazíamos era, como se viu, insustentável.
Quis a Providência que voltássemos a postar apenas no dia a seguir ao da comemoração do infame golpe que derrubou a plurissecular dinastia de Bragança do trono português – portanto avisamos já o leitor que no dia 6 haverá por estes lados propaganda monárquica.
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
É por estas e por outras que eu nunca gostei de matemática e de tudo o que lhe esteja ligado
Olá!! Então, como estão? Tudo animado? Para vosso
bem espero que sim, porque não vos trago nada que abone a favor da vossa
sensação de bem-estar, pelo contrário, o texto que se segue tem todos os
atributos para despoletar uma leve espécie, ou uma azia incontrolável, conforme a sensibilidade dos organismos.
Temendo enveredar por um caminho de aborrecimento ao tocar num tema que já arrelia de tanto se falar, mas mesmo assim preocupando-me pouco com isso, vou introduzir-vos: a crise!
Mas não é a crise dos coitadinhos que se queixam porque já não sabem mais onde
poupar e vêem a situação a sair-lhes do controlo, é antes a crise dos ricos.
Quando todo o mundo anda desesperado por encontrar
uma solução milagrosa que impeça a economia de entrar em colapso e salvar tudo
aquilo que até hoje foi alcançado em termos de desenvolvimento e autonomia
financeira, vem-me este senhor arriscar a própria pele e gozar com a cara de
todos deitando uma língua bem vermelha e babada aos governantes mundiais:
Como diria o saudoso Artur Albarran “O choque! O horror…a tragédia!”.
Será possível que haja assim tanta desfaçatez numa
pessoa só? Como carrega ele tão pesado fardo sozinho? Chega a arrepiar.
Apesar desta demonstração inebriante de coragem em que o senhor corrector esfrega na cara de todos que
é ele e os seus coleguinhas que batem palminhas quando vão dormir, e da louvável, ou questionável sinceridade desejo-lhe muito boa sorte a partir de agora quando decidir
atravessar a rua.
domingo, 2 de outubro de 2011
A inveja é um sentimento muito feio
Já cantavam os meus muito amados Expensive Soul e diziam toda a verdade num simples verso de uma canção (não haverá em todas as músicas que se compõem um misto de realidade traduzido em arte?).
Há pessoas que (sobre) vivem à custa de boatos. Mal acordam de manhã, dirigem-se automaticamente ao café da esquina, prontas a receber as boas e as más novas sobre a vizinhança, qual jornal matutino, de leitura obrigatória e assídua. Depois da má língua, vão até casa, mas enquanto calcorream o caminho que as conduz até ao seu nicho, espalham as boas e as más novas por quem passa, acrescentando 3, 4 ou até mesmo 5 pontos ao conto que ouviram no café. E desengane-se quem pensa que isto só acontece nas aldeias. Eu vivo numa cidade e conheço gente desta.
Há pessoas que (sobre) vivem à custa do mal-estar e sofrimento dos outros. Estas mal sabem de uma morte, de maior ou menor tragédia, de um despedimento, de uma quezília familiar ou de uma doença, lá se fazem presentes para saber de todos os pormenores e fingir que estão muito interessadas em ajudar a solucionar o problema, quando apenas têm como objectivo um pouco de consolo por desgraça alheia. “É bem feito!”, pensam, enquanto palavras como “coitadinho, pobrezinho!” lhes saem das bocas.
E há pessoas que (sobre) vivem à custa de inflacionar mal a quem está tranquila e miraculosamente bem. A meu ver, esta é a espécime mais perigosa e da qual tenho mais medo. Estas pessoas não podem ver ninguém com namorado, com um carro novo, com obras a serem feitas na sua nova casa, com uma carreira, uma promoção profissional, com boas notas, pois logo tratarão de montar ardilosos esquemas para que a pessoa desanime, desmotive, fique enredada em problemas criados por estes ditos cujos que são filhos daquela mãe que sabemos. Mas o que os moverá para serem capazes de tais façanhas? A inveja. Sim, porque não podem ver alguém melhor que eles na casa em frente, na secretária ao lado, no banco atrás. Mas porque a justiça é sempre feita neste Mundo, não há mal que nunca acabe!
As pessoas sábias discutem ideias.
As pessoas inteligentes discutem opiniões.
As pessoas burras discutem pessoas.
Há pessoas que (sobre) vivem à custa de boatos. Mal acordam de manhã, dirigem-se automaticamente ao café da esquina, prontas a receber as boas e as más novas sobre a vizinhança, qual jornal matutino, de leitura obrigatória e assídua. Depois da má língua, vão até casa, mas enquanto calcorream o caminho que as conduz até ao seu nicho, espalham as boas e as más novas por quem passa, acrescentando 3, 4 ou até mesmo 5 pontos ao conto que ouviram no café. E desengane-se quem pensa que isto só acontece nas aldeias. Eu vivo numa cidade e conheço gente desta.
Há pessoas que (sobre) vivem à custa do mal-estar e sofrimento dos outros. Estas mal sabem de uma morte, de maior ou menor tragédia, de um despedimento, de uma quezília familiar ou de uma doença, lá se fazem presentes para saber de todos os pormenores e fingir que estão muito interessadas em ajudar a solucionar o problema, quando apenas têm como objectivo um pouco de consolo por desgraça alheia. “É bem feito!”, pensam, enquanto palavras como “coitadinho, pobrezinho!” lhes saem das bocas.
E há pessoas que (sobre) vivem à custa de inflacionar mal a quem está tranquila e miraculosamente bem. A meu ver, esta é a espécime mais perigosa e da qual tenho mais medo. Estas pessoas não podem ver ninguém com namorado, com um carro novo, com obras a serem feitas na sua nova casa, com uma carreira, uma promoção profissional, com boas notas, pois logo tratarão de montar ardilosos esquemas para que a pessoa desanime, desmotive, fique enredada em problemas criados por estes ditos cujos que são filhos daquela mãe que sabemos. Mas o que os moverá para serem capazes de tais façanhas? A inveja. Sim, porque não podem ver alguém melhor que eles na casa em frente, na secretária ao lado, no banco atrás. Mas porque a justiça é sempre feita neste Mundo, não há mal que nunca acabe!
As pessoas sábias discutem ideias.
As pessoas inteligentes discutem opiniões.
As pessoas burras discutem pessoas.
Subscrever:
Mensagens (Atom)