A mais bela, a mais pura e a mais duradoura glória literária de prosa da blogosfera

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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Humores à 6a - O terrorismo

Pois bem, hoje o tema dos humores de 6as é o terrorismo - essa bonita forma de acagaçar multidões e justificar a invasão de países exportadores de petróleo.

Assim, esta temática mereceu as seguintes contribuições do nosso painel opinativo:

Por Letícia, a Marquesa:


"Terrorismo em Lisboa... humor!

Um relatório do SIS e do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras recentemente revelado, informa que o atentado perpetrado na cidades de Nova Iorque (11/09/2001)estava destinado a ser cometido, única e exclusivamente na cidade de Lisboa.
Por diversos motivos que passaremos a detalhar:

Eis a história e o itinerário seguido pelos 2 terroristas uma vez chegados ao nosso país:
Domingo 23h47
Chegam ao aeroporto da Portela, via aérea vindos da Turquia, saem do aeroporto com oito horas de atraso depois de conseguirem recuperar as bagagens que estavam perdidas. Apanham um taxi. O taxista vê-os pelo espelho e ao ver a pinta de turistas que tinham resolve passeá-los por toda a Lisboa durante uma hora e meia. Ao ver que não abriam o bico depois de lhes ser cobrado 20 contos pela tarifa resolve tramá-los e por telemóvel chama um cúmplice que entra no táxi na Rotunda de Algés. Depois de uma carga de porrada e de lhes terem roubado todos os seus pertences, deixam-nos em Monsanto na companhia dos esquilos.
Segunda 4h30
Ao acordar, depois da carga de porrada, conseguem chegar a um Hotel da Segunda Circular.Ao voltar de carro do hotel para o centro, são confrontados com uma manifestação de funcionários camarários e outra de agricultores do Alentejo juntamente com alguns condutores de tractores do Oeste. Ficaram retidos no trânsito por tempo indeterminado.
--7h30
Chegam ao Rossio (Por fim!). Precisam de trocar dinheiro para se movimentarem sem levantar suspeitas. Os seus dólares são trocados por notas de 50 Euros falsas!!!
--7h45
Chegados à Portela tentam embarcar num avião que se desfizesse sobre a Ponte 25 de Abril.Os pilotos da TAP estão em greve. Exigem que lhes quatripliquem o seu ordenado e reduzam as suas horas de trabalho. Os controladores de voo queixam-se do mesmo. O único avião em pista é da Sata Internacional e já tinha 13 horas de atraso em relação à hora prevista da sua partida. O pessoal de terra e os passageiros acampam no aeroporto gritam palavras de ordem contra o governo e os pilotos. Chega a brigada de intervenção da PSP e distribui paulada por todos os presentes.
--19h05
Por fim, os ânimos acalmam-se. Dirigem-se ao balcão de uma companhia não identificada e pedem 2 bilhetes para o Porto. Sempre com a intenção de o desviar e fazê-lo explodir contra um dos pilares da ponte. Mas o funcionário do balcão vende-lhes bilhetes de um vôo que já não existia.!!!
--19h07
Tendo em conta o avançado da hora, discutem entre si se deverão executar o seu plano ou não. Fazer explodir a ponte e tudo ao seu redor já lhes parece mais uma obra de caridade que um acto terrorista.
--20h30
Mortos de fome, vão comer algo no bar do Aeroporto; pedem duas chamuças e rissóis de camarão com salada russa
Terca-feira --00h35
Recuperam no Hospital de São José de uma dose de cavalo de salmonela causada pela salada russa depois de terem esperado toda a noite para que os atendessem.A recuperação teria sido rápida não fosse o desmoronar do tecto da enfermaria onde foram instalados.
Terça-feira seguinte--19h00
Uma semana depois têm alta do hospital e ao passarem pelo Bairro Alto vêem-se envolvidos numa richa entre gangs rivais de skins que se unem para lhes dar outra valente sova. Decidem "dar de beber à dor que é o melhor" visto que nada lhes sai de feição. Várias garrafas de uísque de Sacavém levam-os outra vez ao hospital com uma infecção por consumo etílico.
Quarta-feira
Escondem-se num contentor do primeiro barco que encontram e resolvem fugir do país na esperança de chegar a Marrocos. Com uma ressaca monumental juram por Alá não voltar a tentar nada no nosso "abençoado" país.

Decidem fazê-lo nos EUA por ser muito mais fácil!

Texto retirado do blog http://anomalias.weblog.com.pt

Por Madame Pompadour:



Por Lord Nelson:




Informamos o leitor que esta semana não existirá contribuição do nosso colega Carlos Jorge Mendes - esse perigoso esquerdista encontra-se a ajudar a República Popular da Coreia do Norte na sua demanda imperialista em unificar a península da Coreia. E como está lá com os amigos dele não nos liga... Talvez pra semana!


Bom fim de semana a todos os leitores!

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Véspera do 1.º de Dezembro

Mais uma vez, somos forçados, por motivos de agenda a deixar que alguém fale por nós visto não termos tempo para realizar essa tarefa cabalmente...

Assim sendo, e visto que estamos na véspera do Primeiro de Dezembro, dia em que em 1640 Portugal recuperou a sua independência de facto de Espanha, que mais para além de propaganda monárquica poderíamos cá deixar?

É pois com o nacionalismo inchado que deixamos à atenção de V. Exa. o seguinte vídeo:



(Video furtado, a companheiros de causa, via facebook)

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

O pequeno grande problema da falta de originalidade

Como sempre, atenta ao que de mais ruidoso vai acontecendo no nosso país, deparo-me com uma greve geral. A semana passada foi marcada pelo exercício desse direito que chega a todos que é o de, simplesmente, encostar o trabalho para canto e deixar de produzir. Tão fácil quanto isto. Normalmente, associada a este genuíno "agora ficas aí que amanhã já te pego", vem sempre uma organizada manifestação, já que ninguém faz greve só por fazer (ou pelo menos, supostamente). Então, a grande maioria dos grevistas, sob pretexto de estarem empenhados em fazer barulho na rua, não fazem greve no local de trabalho, nem na rua, mas sim em casa, ou aproveitando um dia para actividades de lazer, como se de um dia de férias se tratasse. A outra, a pequena maioria, anda por aí a, literalmente, colar cartazes e protestar contra as medidas desagradáveis mas, ao que parece, necessárias, que o nosso Governo decide ir tomando.
Este modelo de protesto, dá-me a entender até à data, não ter feito grande diferença para o alcance desse objectivo do proletariado que é alterar, de facto, o rumo das coisas. Na Assembleia não se recua com as políticas por causa do mais ou menos barulho que os grevistas fazem, nem pelas constantes dificuldades logísticas que, a sua paragem no trabalho, implica para o decurso natural da vida quotidiana. É um dia em que, outros milhares de portugueses que já se aperceberam, a esta altura, que se torna mais rentável não empatarem o dinheiro que ganham num dia de trabalho numa greve que, no fim, não traz beneficio nenhum, são obrigados a fazer exercícios de gincana complicadíssimos para chegar a horas ou, sequer, chegar ao trabalho porque, outros tantos profissionais dos transportes públicos decidiram nem sequer asseguras os serviços mínimos. E é isto a greve geral em Portugal: um dia de barulho, cartazes e palavras de ordem no caos das grandes cidades.
Aos Srs. manifestantes e dirigentes destas minimamente relevantes lutas sindicais: em vez de prometerem a toda a hora novas formas de luta, lutem mesmo de forma diferente. Ao que parece isto com berros e a fazer parar o trânsito não vai lá camaradas!... Está na hora de serem criativos e mostrarem que há, realmente, outras formas de luta. Ou isso é só bluff? É que há sempre a greve de fome, a greve de sexo, a greve de banho...e sei lá que mais.
O mundo precisa de criatividade e este problema, o da sua falta, tem sido transversal, afecta a sociedade no geral e o individuo em particular. Já ninguém se preocupa em ser original com as coisas que importam, as pessoas acomodam-se ao pouco que a vida oferece e, nem quando é a olhos vistos insuficiente, se esforçam para atingir os objectivos mínimos a que se propõem.
Mes amis, falo-vos da greve como poderia falar de dezenas de outras coisas em que essa atrofia de ideias está patente. Ainda não foi tudo inventado, garanto, e se há 30 anos era fácil ser original, hoje, provavelmente, é mais exigente...mas possível. Portanto, naquilo que está ao vosso alcance, mostrem que não andamos a dormir nem a agir apenas de acordo com o que nos ensinaram e que podemos, a toda a hora, fazer melhor.

sábado, 27 de novembro de 2010

Presidenciais - As causas da derrota de Manuel Alegre

Numa altura em que faltam pouco menos de dois meses para as presidenciais, julgamos oportuno tratar este tema agora. Até porque à medida que se vai aproximando o dia do escrutínio, o debate tende a pender para a estupidez. Excepção feita aos debates televisivos, normalmente, as acções de campanha são um somatório de nadas.

E que dizer, pois então, destas eleições presidenciais? Há pouco a dizer, de facto, a não ser que tratar-se-ão de um longo e contínuo bocejo sem história, com o vencedor claramente definido à entrada para o combate – Cavaco Silva. Aqui recuamos um pouco no tempo para nos pronunciarmos sobre Manuel Alegre. Julgávamos nós no passado, há uns meses, que esta eleição não era garantida para Cavaco. Com efeito, havia o problema do casamento homossexual e a tensão com a direita mais conservadora, surgindo o espectro de um novo candidato à direita que lhe fosse capaz de retirar os votos da direita mais religiosa. Porém, o putativo candidato Ribeiro e Castro nunca reuniu o apoio do CDS, já reservado ao Prof. Cavaco Silva e evitou comparecer a um combate inútil e, com certeza, humilhante. Este facto aliado à indisponibilidade de Bagão Félix – este sim poderia contar com o apoio do CDS – resolveu o problema da direita mais conservadora. Mas restava ainda o facto de Cavaco ser o presidente em exercício que, nas vésperas de uma recandidatura, reunia a mais baixa taxa de aprovação de todos os Presidentes, algo que seriamente perigava a sua vitória à primeira volta. Lembramos os célebres episódios do Estatuto dos Açores ou das escutas a Belém. Cavaco soube, no entanto, aproveitar a ocasião que lhe era mais propicia para solidificar a sua posição nas sondagens: a crise orçamental e os respectivos diferendos entre PS e PSD. Isto permitiu-lhe recuperar popularidade e credibilidade e usufruir da maior vantagem de que ele dispõe: o correcto exercício das suas funções. A boa gestão da crise orçamental de Cavaco contrapõe-se à desastrosa gestão de Manuel Alegre. Na verdade, havíamos dito no passado que o problema de Alegre seria conquistar o centro do eleitorado e no centro residiria a chave da vitória desta eleição. Manuel Alegre apresentava uma desvantagem neste âmbito para Cavaco: é que o centro, naturalmente, lhe pertencia, uma vez que o actual Presidente é ideologicamente mais identificado com o centro do que Alegre. Ora, sabendo de antemão, isso Alegre teria de aproveitar melhor o período da crise orçamental para convencer os eleitores do centro. E que aconteceu com Alegre? Ora sua excelência foi sonegar os slogans do Sr. Francisco Lopes e atacou especuladores e grandes grupos financeiros. Não pode, V. Ex., não pode!

Uma sucessão de tropeções explica o actual estado definitivo das coisas. A verdade é que Alegre representa mais o sector da extrema-esquerda e um sector antiquado da velha esquerda do PS. Os votos da extrema-esquerda valem-lhe 20% e os da velha guarda do PS os restantes. Mas a grande maioria dos militantes socialistas, posicionando-se no centro-esquerda estão a fugir para Cavaco ou para lado nenhum, refugiando-se no voto em branco ou na abstenção. A união da esquerda – PS, PCP e BE – em torno duma eleição legislativa ou presidencial é inviável devido à clivagem ideológica que separa um PS moderado de um PCP e de um BE sectários. Poderá acontecer numa eleição autárquica, como seria desejável que tivesse acontecido nas últimas eleições para a CM de Lisboa, em que a ideologia não é tão grandemente convocada a desempenhar um papel. Numa eleição presidencial porém, tal não é possível em que o candidato é chamado a pronunciar-se sobre as questões do País, não obstante o poder executivo possuir ao Governo.

Errou, portanto, o PS ao escolher Manuel Alegre? Nisso mantemos a nossa opinião – e dizemos que não. A antecipação de Manuel Alegre ao PS inviabilizou o aparecimento de uma outra candidatura à esquerda pelo que não havia alternativa. O que restará ao PS fazer é limitar as perdas – e isso ele já o vem, discretamente, fazendo. Basta estar atento à inexistente campanha de Alegre que se resume ao seu MIC e ao BE. A intenção é que a derrota nas Presidenciais seja encarada como uma derrota pessoal de Alegre e não uma derrota do PS.

Por fim, apenas um desejo – esperamos que a vitória de Cavaco não seja o prenúncio do inicio de um período de instabilidade governativa, como origem em Belém, totalmente inconciliável com os objectivos de execução orçamental do próximo ano.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Parlamentos

Estimado leitor,

No glorioso dia de hoje depomos aos augustos pés de V. Exas. alguns episódios caricatos daquele que deveria ser o verdadeiro bastião da democracia - o local para onde se elegem os dignos representantes do Povo e que exercerão o poder em seu nome. Pois então é isto que significa o poder? Ora, queira o benévolo leitor visualizar:
De Lord Nelson:

Quando pensamos em Parlamento pensamos no Reino Unido - daí que o vídeo venha de lá! Quem dera a Sócrates ter um assistente assim para o ajudar nos momentos mais difíceis.

De Letícia, A Marquesa:

O Parlamento é como a vida: quando não se resolvem as coisas a bem, resolvem-se a mal... Ai como eu gostava de ver embrenhados numa luta semelhante o Portas e o Sócrates... Quem é que venceria? Aceitam-se apostas, Caríssimos!

De Madame Pompadour:

Haverão poucas coisas mais aborrecidas do que as longas discussões parlamentares que, na maioria das vezes, resolvem muito pouco. O que nos conforta o espírito, são os pequenos momentos de descompressão a que, os nossos estimados deputados e governantes, nos votam de vez em quando.



De Carlos Jorge Mendes:

Creio que este vídeo demonstra bem a promiscuidade juvenil e hormonal que vai na cabeça dos nossos deputados, que em vez de discutirem no Parlamento os problemas do País, debatem, por códigos nada subtis, aquilo que se verá.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

25 de Novembro


Hoje comemora-se uma importante efeméride no nosso país! Talvez tão ou mais importante que o 25 de Abril – pois se em Abril caiu uma ditadura, só em Novembro (de 75) nos livramos do perigo real de entrarmos noutra, de pendor oposto.

Corria o longínquo ano de 1975 e os ventos quentes do PREC quando uma série de tropa, (Otelo Saraiva de Carvalho y sus muchachos) saiu à rua para tentar, por via da força, instalar a ditadura do proletariado (e fuzilar alguns “fascistas” no Campo Pequeno).No entanto o Golpe falha – graças a Costa Gomes e Ramalho Eanes – e o perigo vermelho vai-se afastando. Hoje sim, viva a liberdade!

Se ontem os sindicalistas mais admiradores do regime soviético andavam felizes com os números da greve geral, hoje o Opinador recomenda-lhes bicarbonato de sódio contra a indigestão.

Caso o ilustre leitor não esteja familiarizado com este episódio recente da História portuguesa, recomendamos o visionamento deste vídeo. Se estiver, veja na mesma que é engraçado.



Ironicamente, no dia em que se devia comemorar a liberdade, quis o destino que tivéssemos de informar o leitor que a nossa análise sobre candidaturas em curso se encontra suspensa por motivos regulamentares, já que faltam menos de 60 dias para as presidenciais. A normalidade retomará dentro de momentos!


quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Males incuráveis

Qualquer declaração de um responsável político português negando a possibilidade de recurso ao FMI é imediatamente abafada pela estridência destes dados – o défice do Estado aumentou 215 milhões de euros até Outubro. Os nossos responsáveis políticos podem, genuinamente, não querer o FMI por estas bandas, mas lá que se põem a jeito, põem-se. E as desculpas começam a escassear. Se nos começos do Outono, alegava-se a insuficiência do tempo dos dois Programas de Estabilidade e Crescimento para produzirem efeitos, agora as desculpas esgotaram-se. Por um lado, um dos cenários dos dois Programas se confirma e está a produzir efeitos: a receita está a crescer. O problema é que a despesa continua a acompanhar a subida da receita, ainda que à custa da subida dos juros da dívida pública. Pouco importa, o défice está a subir e há quem cada vez mais duvide que o Fundo de Pensões da PT será suficiente para cobrir o buraco. O facto original e único de sermos o único País na Zona Euro cujo défice continua a engordar, vale-nos honras de chamada às páginas do Financial Times. Era bom que, por estas alturas, os nossos investidores lessem, ao invés, o Correio da Manhã e a sua secção de Vidas. Ou então poderíamos alegar em nossa defesa:
- Sim, o nosso défice está a aumentar. Mas, por outro lado, ganhamos um Emmy por uma telenovela.

Claro que com o nosso próprio Presidente da República a malhar na execução orçamental de 2010 também não ajuda. Sim, V. Ex.ª, com efeito: a execução orçamental de 2010 é aquilo a que podemos designar por excremento. Mas sabe que mais, Sr. Presidente? Cale-se! Não era V. Ex.ª que há dias dizia que havia demasiado palavreado na vida pública portuguesa e que V. Ex.ª, altivamente, não iria contribuir para o achincalhamento da Nação? Pois então, mais que não seja por coerência: cale-se.
Todavia, estas declarações do nosso Presidente não preocupam, verdadeiramente, os mercados. Por outro lado, há outro tipo de declarações que causam alguns problemas. E de quem haveríamos de falar senão the one and only, a Sra. Merkel? O hábito, a cada dia que se desenrola, faz diminuir o nosso espanto perante as declarações desta senhora. Enquanto todos os responsáveis europeus procuram amenizar a pressão dos mercados sobre os países mais débeis, desde o Sr. Comissário Rehn ao Sr. Presidente do Eurogrupo, o Sr. Juncker, eis que surge uma declaração espalhafatosa da Sra. Merkel e todos os esforços são vãos. E custa-nos sinceramente perceber o objectivo – mesmo algum objectivo oculto – destas declarações. Não falo já da situação portuguesa que para a Zona Euro não é a mais preocupante – mas da espanhola. Os espanhóis são uma das economias mais fortes da Europa e que estão a atravessar um período de forte pressão dos mercados, mesmo apesar das medidas de austeridade anunciadas e a sua respectiva execução. Se os espanhóis forem obrigados pelos mercados a recorrer ao FMI, a zona euro e, por extensão, o projecto europeu estão seriamente comprometidos. Aí sim, creio que poderemos falar de um verdadeiro efeito dominó que se poderá desenrolar. Enquanto os problemas forem com a Grécia, a Irlanda e Portugal, a crise permanece na periferia da zona euro. Pelo contrário, se a crise penetrar em Espanha, também o âmago da zona euro estará, irreversivelmente, comprometido. Além do mais, os bancos alemães detêm 147 biliões de euros da dívida pública espanhola – ainda mais do que o montante referente à divida pública irlandesa e bem mais do que divida pública portuguesa. Por tudo isto, temos dificuldade em compreender a Sra. Merkel. Menos dificuldade temos, porém, em entender os jornais alemães que, em catadupa, recentemente, têm levantando ondas de criticas em direcção à Irlanda. É que a Irlanda, sendo ajudada por todos os países da zona euro e, sobretudo pela Alemanha, pretende manter o imposto sobre o rendimento das pessoas colectivas, o IRC, a 12,5%, metade daquilo que se pratica na generalidade dos países europeus. Temos alguma dificuldade em compreender como é que um País com 32% de défice pretende manter uma clara vantagem fiscal sobre os outros países que vêm em seu auxílio, escudados no dinheiro dos seus contribuintes.

Entretanto, e regressando ao nosso País, continuam a decorrer as alterações ao Orçamento para 2011 na especialidade. Ontem, foi rejeitada uma proposta do CDS para suspender as grandes obras públicas, com os votos contra de toda a esquerda e a abstenção do PSD! Supostamente, creio eu, o PSD exigiu como condição para a viabilização do Orçamento de Estado, a suspensão de todas as Parcerias Público-Privadas, exigência essa a que o PSD anuiu. Mas, sorrateiramente, eis que o PSD abandona a sua própria ideia, a sua própria exigência com a complacência do PS.