A mais bela, a mais pura e a mais duradoura glória literária de prosa da blogosfera

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quinta-feira, 8 de julho de 2010

Fatias Douradas

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O leitor terá decerto reparado nalguma coisa de estanha neste blog, nos últimos dias. Com efeito, bastou a ausência da nossa supervisão para o delírio socialista se instalar e refastelar neste Opinador.
Pois o à vontade foi tal que, no mesmo dia em que o primeiro-ministro lança ataques ao PSD acusando-o de querer destruir o Estado Social, o nosso Dr. Carlos defende a aposta naquele modelo…
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Sim senhor!
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Ora juntamente com o leitor vamos lá analisar uma dessas ilusões socialistas que são as golden share’s – ou em português: fatias douradas (como as rabanadas, hmmmm).
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Nunca, em toda a história da Humanidade, tantas pessoas viveram tão bem como nos nossos dias. Tal situação deve-se, não a fatias douradas, mas a um sistema económico que, tendo a base no interesse individual, permitiu um desenvolvimento colectivo sem precedentes. A abundância material faz a prova do que dizemos. E todos os sistemas políticos que procuraram limitar aquela “ganância individual” acabaram mal…

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Por cá, final dos anos 80, já longe do PREC, aquela visão colectivista do Estado medrou na cena política até quase desaparecer. Desde então veio-se consolidando uma economia de mercado similar às dos outros países europeus.

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Similar? Mais ou menos pois neste nosso sítio, talvez por preconceitos ideológicos de um PS que se ainda se afirma (tem dias claro) de inspiração marxista, um Estado bem gordo mantém a sua pata oleosa nos negócios. E aquela pata é bem visível nas fatias douradas mas também é uma pata invisível (tem dias), como no caso TVI. O que é certo é que ela existe. Há uma grande promiscuidade entre os negócios e o gordo, obeso, inchado Estado português!

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O amigo leitor confia no Estado para velar pelos seus negócios? Confia numa entidade tão permeável às pressões, cheia de arrivistas e ineficaz? Acha que o Estado compreende melhor qual a estratégia óptima para uma empresa? Não será isso mais facilmente compreendido pelos donos dessa empresa – os accionistas?

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Se nos parece desadequado o uso das fatias douradas no plano teórico, importará reflectir no seguinte: se o leitor fosse um investidor estrangeiro, já habituado às notícias sobre a “piolheira” sentir-se-ia mais tentado a investir vendo esta deriva socialista e controladora do Estado sobre a economia, sobre a orientação estratégica de uma empresa privada? É claro que não. Eu pelo menos gosto de manter o meu capital longe de países que comecem por “República Popular” ou “República Democrática”… Não costuma dar bom resultado. E aqui, mutatis mutandis (uau, quanta erudição), a coisa é a mesma.

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Um Estado centralizador que põe intervêm tão activamente na Economia, dizendo às empresas privadas o que podem ou não vender, afasta o investimento estrangeiro.
Mas neste caso há ainda um outro problema: a atitude do governo em usar a fatia dourada certamente fará surgir acções judiciais como cogumelos que muito provavelmente obrigarão a uma indemnização por parte de Portugal e levarão a um novo ralhete de Bruxelas.
Ah, e não estamos livres de uma OPA sobre toda a PT… Aí lá se ia a “posição estratégica”. É que com o encaixe financeiro da venda da Vivo, para além de poder apostar em novos mercados a PT ficaria imune a um cenário destes… Assim vamos a ver!

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Façamos um exercício prático: se todos os Estados procurassem impedir a ingerência de capitais estrangeiros nas empresas nacionais, alguma vez a PT teria comprado a Vivo?
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O uso das fatias douradas já teve o seu tempo na História da Europa – principalmente no pós 2.ª Guerra Mundial, como é bom exemplo a Renault. Vemos assim, que é verdade que o nosso país continua com um atraso de 40 anos do mundo civilizado… Em actos e pensamento.
O amigo leitor poderá dizer que o Estado tem quadros competentes para desempenhar tal tarefa. Ora essa entidade multiforme, sempre permeável a influências e manipulações não será o exemplo de isenção que se pretende.
Reafirmo mais uma vez – sou um patriota. Mas também sou um democrata que aprecia as liberdades individuais. O que eu faço com os meus bens apenas a mim me diz respeito – ou assim deveria ser, exceptuando as situações do artigo 334.º do Código Civil. Não vejo razão nenhuma para o Estado manter 500 acções numa empresa que se quer privada. A liberdade também passa pelo fim de paternalismos!

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Se não dermos espaço àquela liberdade arriscamo-nos a ter uma economia incapaz de atrair o investimento estrangeiro… E para o leitor ver o que isto seria – pelo menos na banca – deixamos aqui um conhecido sketch:



Por fim, terminamos dizendo: a PT não é nós! A PT pertence aos accionistas que lá investiram o seu dinheiro. Se o Estado queria mandar na PT não a tivesse privatizado. Agora arrecadar o dinheiro com a venda e continuar a ser dono é má-fé!
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É verdade, é de mim ou aquele pessoal do PS anda assustado com a subida do PSD? É que já começa a histeria colectiva… O Dr. Assis já clama, avisando o povo, que o PSD é “a direita mais radical dos últimos tempos, contra o Estado Social”.
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Bem, bom final de semana! O post é maior do que o costume mas também é o único desta semana...

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Reflexões Literárias

“Meus amigos. A Literatura em Portugal está a agonizar: morre burguesmente e insipidamente: nem ao menos tem os efeitos extravagantes de luz de todos os ocasos celestes”.
Eça de Queiroz dixit.

A Literatura está a agonizar porque não há ninguém que a levante. A Literatura portuguesa está no chão e tudo o que os escritores portugueses fazem é levantá-la por alguns instantes à sombra das mesmas ideias e, acto contínuo, ela volta a cair, porque a cabeça, com o peso dos anos, invariavelmente, tomba para o lado.
Esta quarta parte d’O Opinador tem alguma dificuldade em compreender os elogios que se fazem em torno dos escritores que inovam no campo da pontuação. Chamar-nos-ão, porventura, de simplistas, porventura de antiquados, mas, nosso entender, a inovação na Literatura reside na ortografia: nas palavras. A construção e a articulação das palavras entre si, a sua metaforização, a projecção das mais belas imagens, a construção das mais luzentes ideias devem constituir o cerne da Literatura. Tanto quanto sabemos, Shakespeare era um bom mestre desta técnica, e era um razoável escritor; Byron, um bárbaro, fazia bom uso das frases: empregava-lhes uma certa luz – era, no entanto, um péssimo poeta; Baudelaire, um devasso, mesmo com o auxílio de um dicionário de rimas, conferiu um certo encanto às suas palavras; Eça de Queiroz pecava pelo mesmo defeito – era um selvagem que buscava o brilho da Forma e da Ideia.
Na actualidade, a inovação do escritor não reside na palavra, reside na pontuação da frase – o escritor desrespeita as regras da pontuação, não coloca uma vírgula quando a deveria ter colocado e é, unanimemente, considerado um rebelde, um inovador e motivo de glorificação.
Os Mestres das Academias reúnem-se, sacodem o pó das longas barbas brancas, debruçam-se sobre o texto, analisam, discutem, interrogam, duvidam e chegam todos à mesma conclusão – o escritor inovou em termos de pontuação, ergam-lhe uma estátua!...Segundo nos consta, existe, inclusive, um escritor português cujo traço característico da sua escrita consiste em escrever exclusivamente empregando letras minúsculas!…Benditos tempos da nossa Literatura em que um escritor deseja, sobretudo, ser reconhecido pela Arte com que faz uso do tamanho das letras e não pelo conteúdo das mesmas. Neste aspecto, aquele que dizia “frases sem ligação, encontros casuais, transformam-se em provas da maior evidência para o homem de imaginação se ele tem algum fogo na alma” era outro dos selvagens. Assim, a Schiller, esse Neandertal do pensamento literário temos a comunicar:
- O tamanho das letras importa, meu caro!...

A Literatura, narrando factos da História adaptados ao discurso literário tem pouca vocação para ensinar – a Literatura denega a sua missão de indicar o caminho, e verga-se e sucumbe ao peso do próprio caminho: ela não procura construir nada de novo, ela limita-se a reerguer aquilo que estava no chão. Já Schopenhauer dizia que a diferença entre um verdadeiro e um falso filósofo residia no facto de o primeiro questionar a realidade por si mesmo, enquanto que o segundo limitava-se a seguir o caminho apontado pelo verdadeiro filósofo. O mesmo sucede na Literatura. Ora, julgamos nós, modestamente, que obra que não ensina, que não educa, que não inove, é estéril porque de nada serve ao espírito. A sociedade, no presente momento, necessita que todo e qualquer elemento que a compunha demonstre interesse na contribuição para a sua elevação. O que vemos, porém, é que, excepcionando um outro colunista de jornal que é, simultaneamente, um escritor, todos eles demonstram desprezo pelas questões da sua sociedade. Os seus livros são o exemplo da mais profunda indiferença pelos seus contemporâneos – fazem honra ao passado, como o fazem os livros de História, são seres profundamente marcados por dúvidas existenciais como o são os livros dos filósofos, mas pela sociedade do seu tempo, eles não mostram mais do que desprezo. Como julgamos que a presente sociedade necessita de revolução e não de sossego, necessita que a importunem e não que a descansem.
O Realismo não é mais do que a conjunção de todas as ciências resumidas numa só Arte: a sociologia, a antropologia, a filosofia, a história, a teologia, a moral, os costumes. É a representação do todo e não da parte. O Realismo comporta, contudo, um problema – um estudo dedicado, atento e constante. E, estimado leitor, um estudo dedicado, atento e constante é coisa que maça, logo é coisa que não convém ao escritor. Por isso, o escritor opta pela parte e não pelo todo; opta pela cópia e não pela inovação; opta pela reprodução e não pela criação. O Realismo é intemporal porque a sociedade assim o é também; mas ele é, igualmente mutável porque assim a sociedade o é também – é, por este motivo, que o Realismo nunca perderá a sua importância – porque é a forma da Literatura enquanto Arte reflectir sobre a sociedade do seu tempo de forma a torná-la uma sociedade melhor, composta por homens de espírito limpo e de consciência própria.

terça-feira, 6 de julho de 2010

O Estado Social

Em primeiro lugar, assinalamos o facto do Partido Socialista organizar as suas jornadas parlamentares que incidem sobre a crise económica e social e o socialismo democrático longe da sociedade civil. Umas Jornadas Parlamentares que têm por propósito a revitalização do conceito de Estado Social são realizadas longe do povo que pretende auxiliar. Um sinal curioso, portanto…

O peso do Estado na economia continua a ser excessivo, mas conquistas como o Serviço Nacional de Saúde, uma Segurança Social Pública, um Ensino Público não devem ser abaladas pela presente crise. O Estado Social é viável, desde que se procedam às necessárias reformas, sem colocar em causa o cerne do seu sistema. Além do mais, não deixa de nos causar alguma estranheza quem queira colocar no epicentro do furacão o mesmo Estado Social quando foi, precisamente, ele que evitou os erros cometidos por aqueles que advogam a extinção do modelo social europeu. A essas pessoas, relembramos que a actual crise não começou por ser uma crise dos Estados, mas sim dos excessos cometidos pelos bancos que obrigaram a uma intervenção maciça dos Estados, com o dinheiro dos contribuintes, para evitar o colapso da economia mundial. Ironicamente, na presente crise, os mercados pressionam os Governos a adoptar políticas de austeridade de controlo do seu défice público – aumentado por esses mesmos mercados -, prejudicando os contribuintes. Os défices dos Estados são sobretudo explicados por este motivo – a necessidade de acorrer a uma crise sem precedentes desde os anos 30 do século que teve erupção no sector privado. Os Estados, não obstante, têm problemas estruturais que acentuaram a gravidade da presente crise – uma crise pública: que assenta sobretudo em dois eixos: elevada dívida pública e baixas taxas de crescimento, que colocam em risco o pagamento das dividas soberanas.

A elevada dívida pública e os baixos níveis de poupança são factores que, aos poucos, podem vir a ser alterados. O Governo, recentemente, lançou um novo instrumento de poupança – os títulos de dívida pública a 10 anos que podem estimular a poupança a longo prazo dos portugueses a uma rentabilidade atractiva. Se há lição que se pode extrair da presente crise é que os tempos de dinheiro fácil terminaram – deve haver uma combinação equilibrada entre consumo e poupança.

Com certeza que existem problemas e desafios que são colocados ao Estado Social e que exigem uma resposta reformadora, sem, no entanto, colocar em causa aquelas que são conquistas básicas e marcantes da sociedade europeia.
O Estado Social é financeiramente sustentável, desde que gerido com exigência, como se comprovam pelos seguintes exemplos:
1. A Dinamarca, com um défice de 2,7% e uma dívida pública 41,6%;
2.O Luxemburgo, com um défice de 0,7% e uma dívida pública de 14,5%;
3. A Finlândia, com um défice 2,2% e uma dívida pública de 44%; ou
4. A Suécia, com um défice de 0,5% e uma dívida pública de 42,3%.
Nestes exemplos, vemos a conjugação de Estado Social, reduzidos défices públicos dentro do limite imposto pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento e níveis de dívida pública controlados.

A Segurança Social é uma das áreas fundamentais neste aspecto. O envelhecimento da população, o aumento da esperança média de vida, a diminuição da população activa – todos esses factores colocam sob pressão os sistemas de segurança social europeu. Portugal, contudo, tem estado atento a esse problema, desde logo, com a introdução do factor da sustentabilidade na última reforma da segurança social, garantindo o seu equilíbrio, bem como uma maior aproximação da idade de reforma entre o sector público e o sector privado. Cremos que, neste ponto, existe ainda trabalho por fazer, nomeadamente, na acumulação de reformas e na imposição de limites máximos ao valor das mesmas, políticas essas que têm sido defendidas por Pedro Passos Coelho, mas que são ideias bem-vindas.

Nas políticas sociais seria importante haver uma maior fiscalização de modo a evitar a introdução de justiças no sistema e assegurar que cada pessoa recebe a ajuda de que necessita.

“As medidas que têm sido tomadas eram inevitáveis e com o número de desempregados que temos era imprescindível multiplicar os cuidados com a equidade social. As fraudes e abusos do Estado social devem ser combatidos sem contemplações, mas outras fraudes e abusos de quem tem mais poder económico devem ser atacados com igual determinação e com mais resultados”, sustentou Ferro Rodrigues, um dos oradores nas Jornadas Parlamentares.


Seria importante começar pelo próprio partido. É necessário despartidarizar o Estado: é preciso que se desmamem alguns indivíduos.

Ainda nesta semana, o “Expresso” noticiou a continuação das pragas das empresas públicas, com o beneplácito estatal para colocar os político-dependentes, vivendo à custa da nora pública. Fonseca Ferreira, socialista, derrotado nas últimas eleições autárquicas na corrida à Câmara de Palmela, preside à empresa pública Arco Ribeirinho, auferindo como contrapartida dessa mamadeira de serviços, a leitosa quantia de 6200€.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Nationalismus

Minha gente, alerta geral! A União Europeia está a passar-se da cabeça, ou dos... (não vou dizer, mas apetece muito)! A par daqueles senhores que rapam o cabelo em nome de uma ideologia de direita extremista que espalhou a morte e o horror durante várias décadas, alguns dos mais influentes países europeus, ao que parece, não ficaram satisfeitos com a experiência e, vejam bem, querem mais.
Peter Trapp, especialista em política interna do governo dessa prezada senhora, Angela Merkle, sugeriu a imposição de requisitos de admissão aos imigrantes alemães que vão de simples testes de língua, provas de conhecimentos de ordem social e jurídica a, atente-se bem a isto, testes de inteligência. Aonde é que eu já vi isto?... Para se ser imigrante na Alemanha é necessário pertencer-se a um grupo de elite, o que deita por terra toda a mística da emigração. Apesar de hoje já ser comum a fuga de cérebros para o estrangeiro (é o que chamam aos indíviduos com mais habilitações), a emigração sempre se demarcou pela saída dos grupos das classes mais desfavorecidas, capazes para os trabalhos de peso, normalmente pior remunerado nos países de origem mas, ainda assim, um investimento de pouco volume para os países de destino. No entanto parece que falta inteligência na Alemanha e querem um bocadinho da estrangeira.
Para além da Alemanha, também o Reino Unido comunga do mesmo entendimento e considera relevante que se tenham em conta critérios apertados para a entrada de estrangeiros no país uma vez que, em demasia, a imigração pode tornar-se uma pressão para os serviços públicos (uma maçada). Isto é tudo muito bonito, mas a verdade é que agora que a bolha rebentou e a economia de todo o mundo está pela hora da morte já ninguém quer imigrantes, quando até há bem pouco tempo eles eram tão úteis para fazer crescer esses mesmos países que agora enxotam os pobrezinhos. Já não querem mão-de-obra barata é? Dá mais jeito gente que saiba fazer contas eu sei...
Esquecendo as razões politicamente correctas destes decisores politicos imbuídos de nacionalismo, o que se passou deve ter sido isto: (Jogo Alemanha - Inglaterra, Mundial 2010):

A.M. - Pfffff... (suspiro de aborrecimento).

D.C. - Que seca de jogo...

A.M. - E se brincássemos antes aos Fascistas antes que nos voltem a chamar lá para dentro?

D.C. - Yeah!!

E pronto, ambos decidiram nesse momento, tudo culpa de um Mundial pouco apelativo que está a decorrer, que ser nacionalista extremista e discriminar pessoas é bem mais giro e divertido.


sábado, 3 de julho de 2010

A PT e a Telefonica

Já por uma ocasião tivemos oportunidade de nos manifestar contra a venda da Vivo à Telefónica, pelo que não vemos a necessidade de nos repetirmos neste assunto.

Em primeiro lugar, devemos manifestar a nossa estupefacção com as declarações do Ministro dos Negócios Estrangeiros Espanhol, Miguel Angel Moratinos, que afirmou que o veto português à Vivo não se repetirá na nova Europa. De que nova Europa fala V. Ex.ª? Será a mesma Europa que há cinco anos atrás, igualmente, não permitia as golden shares, mas que o governo espanhol detinha nos seus grupos de telecomunicações? Ou dirá V. Ex.ª que as normas relativas à livre circulação de capitais se alteraram bruscamente nos últimos cinco anos? Se sua excelência é um apreciador da ironia como nós confessadamente somos, não deixará de estimar a ironia do seu comentário.

Com o guante e o gládio do patriotismo nacional, os accionistas portugueses juravam garantir a defesa do interesse lusitano. Ao avistarem da nobre fortaleza as hostes espanholas, todos gritavam em uníssono, com a mão no peito:
- Cerra por Portugal que é espanhol!...
- Casca por Portugal que é espanhol!...
Dias depois, o discurso mudara ligeiramente:
- Cerra por Portugal que é dinheiro!...
- Casca por Portugal que é dinheiro!...
Afinal de contas, a sua honra tem a bela quantia de 7.150 mil milhões de euros.

A golden share do Estado português na PT é, obviamente, contrária aos fins da livre circulação de capitais, consignada como um fim essencial da Comunidade Europeia.

Mas este problema levanta outra questão que não vimos, até agora, ser suficientemente discutida – caso a PT fosse uma empresa pública e não uma empresa privada, esta questão não se levantaria. Uma vez que o Estado detém uma participação accionista de pouca expressão na empresa, ele sabe dos riscos em que incorre. E esta questão é fundamental uma vez que é conhecido, em função do Pacto de Estabilidade e Crescimento, que o Estado pretender privatizar algumas empresas públicas que são essenciais à economia portuguesa – como é o caso da REN, dos CTT ou a restante participação que o Estado detém na GALP ou na EDP. Esta política de privatizações, de alguma utilidade no curto prazo, é extremamente prejudicial no mesmo curto prazo, mas sobretudo a médio/longo prazo. Não será pois importante, discutir, estrategicamente, uma política pública do Estado em relação à participação em empresas essenciais à economia portuguesa?
O Estado não deve ter uma presença activa na economia, mas deve estar presente nos sectores mais importantes de forma a assegurar a defesa do interesse público – o Estado deve assegurar que um conjunto essencial de empresas que, pela sua actividade e importância, são absolutamente indispensáveis ao funcionamento e expansão da economia se mantenham como portuguesas.
A deriva neoliberal parece estar de volta em força, exaltando os valores do mercado e como este assegura a defesa do interesse de todos, estabelecendo as necessárias correcções automáticas e a alocação eficiente de recursos. Olvidam-se das falhas desse mesmo mercado que contribuíram para o desencadear da crise mundial. Essa mesma gente da direita nos afiançava que o mercado era capaz de solucionar os seus próprios problemas e que a intervenção do Estado na economia, mesmo como regulador, era nefasta aos seus interesses. Dois anos depois, o neoliberalismo não só não morreu, como renasceu.

Miguel Sousa Tavares, na edição deste sábado do “Expresso”, afirma que “se o tal núcleo duro de accionistas nacionais de referência que, com a oferta a 6500 milhões, achava exactamente o mesmo e, com a oferta a 7150 milhões, já deixou de achar, é porque, de duas uma: afinal, não concordam que a Vivo seja essencial à PT ou não concordam que a PT seja essencial ao País”. Não iremos discutir a primeiro hipótese pois tal não é o fim que para aqui nos importa. No segundo caso, quanto à importância da PT para o País, obviamente, que aos privados, não é o interesse público que subjaz à sua actuação. O motivo que os privados apresentam para a venda da Vivo não é a defesa do interesse público, é a defesa do seu interesse. E, assim, voltamos a sublinhar – é neste tipo de situações que o Estado é fundamental: nas situações em que o interesse público não é assegurado pelos privados, atraídos pelo brilho do dinheiro espanhol, o Estado deve estar presente de forma a assegurar a sua prossecução. Face à inexistência da solução que seria mais adequada para este caso – a PT ser uma empresa pública e este tipo de operações ser, desde logo, inviável à partida - , a golden share acaba por ser um mal menor.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Quer ser mãe/pai? Adopte!

Estimado leitor, antes de enveredar pelo conteúdo propriamente dito deste post quero salientar que o título reflecte apenas uma sugestão, relativamente à qual as pessoas poderiam sentir mais abertura; nunca uma imposição. Adoptar em vez de procriar nunca foi uma imposição e nunca o deverá ser, pois como seres humanos livres é a nós que nos cabe a decisão de como pretendemos viver; no entanto, acredito que devemos fazê-lo sempre de forma informada, sem perder o foco do que realmente importa em termos humanos e sem esquecer que vivemos em sociedade.

Assim sendo, o meu objectivo será apenas o de sensibilizar para o que importa verdadeiramente quando falamos de filhos, em consonância com as necessidades reais: em termos globais – problemas inerentes à sobrepopulação mundial, onde os refugiados e as crianças institucionalizadas detêm um grande número, gestão de recursos ambientais, crescente poluição …; bem como em termos individuais - o que importa realmente são os afectos (sempre o foi, sempre será) e partilhar o mesmo sangue não é requisito necessário para quem ama, educa e cria; o único requisito necessário é a vontade genuína para o fazer.

Como é óbvio, uma coisa é informar as pessoas relativamente à sobrepopulação humana e ter filhos, fazer imposições é outra: a primeira é o caminho que devemos seguir. Considero responsável não fazer bebés desnecessariamente (quando já há tantas crianças necessitadas de uma família), mas impô-lo seria cruel.

A sobrepopulação humana teve início com a revolução industrial e, hoje, assistimos a uma explosão demográfica. Basta notar que em 1950 existiam 2,5 biliões de pessoas e que em 2000 já havia mais de 6 biliões de humanos no planeta. Como agravante, temos o facto da população se distribuir de forma díspar pelo globo, visto que 75% da população mundial se encontra nos países em vias de desenvolvimento (países pobres onde dominam a fome, doenças e falta de planeamento familiar, o que se associa facilmente a uma escassez de informação). De acordo com as projecções da ONU (Organização das Nações Unidas), esta explosão demográfica alcançará os 9,2 biliões de habitantes em 2050. Neste sentido, a ONU apela para a necessidade das comunidades elaborarem programas de sensibilização para o abrandamento do crescimento populacional, assim como criarem mais programas de planeamento familiar.

Neste sentido, penso que as pessoas podem escolher quantos filhos querem e como, mas para isso devem fazê-lo sem olhar apenas para os seus motivos “egoístas” de “egocentrismo sanguíneo” (coloco egoístas entre aspas porque não quero ferir susceptibilidades e tenho plena noção de que educar uma criança, seja biológica ou adoptada, exige sempre uma elevada dose de altruísmo a vários níveis). Na minha opinião, os esforços que hoje se verificam para melhorar as tecnologias que permitem ter filhos biológicos deveriam ser transformados em esforços de informação sobre o que realmente interessa em termos humanos (o afecto), das necessidades sociais reais (crianças necessitadas de um lar, desconstrução de alguns mitos ligados à adopção e à contracepção, entre outros). Se formos realistas, as empresas que desenvolvem métodos de procriação e fertilidade artificial têm, muitas vezes, o foco no dinheiro que lucram com isso, não estando preocupadas com as questões sociais e humanas básicas. Se olharmos para as necessidades reais, constatámos que a adopção é uma escolha mais responsável que a procriação.

Ao invés de gastar anos e dinheiro em tratamentos artificiais a tentar engravidar, porque não se há-de abrir o coração ao amor parental incondicional (sem limites sanguíneos e genéticos) e canalizar esse investimento temporal e monetário, adoptando e ajudando quem já existe e precisa?

Com efeito, o impacto ambiental e social da sobrepopulação (poluição, fome, doenças, aumento da criminalidade, …) poderia ser reduzido se, enquanto aldeia global (assim se chama ao mundo, actualmente), todos nós concentrássemos as nossas capacidades na erradicação da pobreza extrema, bem como na erradicação da ignorância.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Os espiões que não espiavam



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Por influência dos filmes de James Bond todos temos uma concepção da espionagem como uma vida repleta de aventuras, perigos, bons carros e “bond girls”.
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Pois o amigo leitor acha que aquela é a vida de um normal espião? Então desengane-se. Por estes dias foi notícia a descoberta de uma rede (ou talvez mais uma célula) de espiões russos que actuavam nos Estados Unidos e, pasme-se, que não espiavam… Ah, pois é! A Russia treina espiões não para espiar mas sim para (e aqui citamos uma mensagem interceptada pelo FBI) “procurar e desenvolver laços nos círculos de decisão política e enviar relatórios de informação". Mas a que informação poderiam ter acesso aqueles seres tão afastados dos centros decisórios como estavam?
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Na prática tratava-se de cidadãos russos que entravam nos Estados Unidos com entidades falsas e começavam uma vida perfeitamente normal, num qualquer subúrbio (escolheram Nova Jérsia) e com um emprego comum.
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Após devidamente instalados estes senhores começavam o que deveriam fazer – nada! Criaram apenas novas identidades e uma rotina de contactos, isto em dez anos. Segundo noticiado pelo Público, o ridículo foi ao ponto de não conseguirem arranjar os empregos pretendidos por Moscovo junto daqueles centros decisórios. O desemprego afecta todos, mesmo os espiões treinados pelo KGB.
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É com tristeza que vemos cair o mito de James Bond que vemos terem passado os tempos de sedutoras Mata Haris… Agora temos apenas espiões que mais parecem alunos de intercâmbio ou imgrantes. Mas a tristeza acaba aí. Em face de toda esta situação somos obrigados a soltar um ah-ah de puro gozo.
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O leitor mais argumentativo dirá: “olhe que é sempre bom ter células adormecidas num país estrangeiro.” E daqui responde-se da seguinte maneira: primeiro isto não é um fórum; segundo para saber o que se passa em determinado país através de cidadãos anónimos, sem influência, se calhar saia mais barato ler os jornais ou pesquisar na net. Assim como assim, o dano que tal incidente pode provocar nas relações entre os dois países não tem comparação com a inutilidade da informação que poderão ter enviado a Moscovo.
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Isto põe a nu a realpolitik (se me é permitido usar o termo) de Moscovo e a desconfiança que continua a ter dos EUA. Apesar de a Rússia não ser a URSS - a todos os nívies - continua a ter uma conduta bastante censurável nas suas relações com outros estados, conforme já o demonstramos aquando da nossa análise das relações russ-georgianas.
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Mas aqueles espiões já tiveram o seu castigo… Mesmo que não venham a ser condenados! É que, por incompetência não conseguiram ser acusados de espionagem (até porque nada espiaram)! Vão acusados de conspiração. Não vai ficar nada bem no curriculum e os paizinhos dos espiões vão ficar desiludidos.
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Não queria deixar passar este 1.º de Julho sem fazer uma referência a Amália, que se fosse viva hoje fazia 90 anos. Assim, para todos recordarmos fica este vídeo.
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