A mais bela, a mais pura e a mais duradoura glória literária de prosa da blogosfera

.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Anita vai à Escola


Desencadeou-se esta semana passada um sururu desgraçado à conta de uma prova da fraca competência dos nossos futuros magistrados para copiar. Isto, para além de muito ofender toda a classe jurídica portuguesa, abre portões à discussão popular acerca da falta de idoneidade daqueles, idoneidade essa que deveria ser nome do meio de qualquer juiz que se preze.
Uns dizem que é inadmissível que se observem comportamentos desta índole no seio da magistratura que zelará pela ordem e justiça globais desde a conclusão da sua formação em diante, outros consideram uma falha condenável por parte dos examinadores responsáveis pela vigilância do teste, que não estiveram à altura de vislumbrar a fraude que se consumia durante a execução daquele. Uns dirão também que a culpa é desta geração mal qualificada e precoce para lidar com carreiras de reconhecida responsabilidade, outros tantos garantirão que a primeira resolução para o caso (a da atribuição da nota positiva mínima a todos para não prejudicar os formandos competentes) é uma manifestação bruta da intocabilidade que caracteriza os juízes do país e, outros dirão aquilo que bem lhes apetecer, porque a democracia é para isto que dá jeito: liberdade de opinião.
Como tal, também eu tenho uma, ou não fizesse parte de um Blog cujo título é, de entre outras coisas, Opinador. Pois bem, a minha ideia não releva nem deve ser colhida por aqueles que atendem a todas as possíveis opiniões que atrás expus, mas, sob o meu ponto de vista tem, igualmente, a sua pertinência.
Antes de mais parece-me de extrema nabice que os vigilantes da prova que tanto barulho levantou não se tenham apercebido que, debaixo dos seus importantes narizes, um copianço em massa estava a ser levado a cabo. Meus senhores, se se permite que recém-licenciados que ainda agora trazem o bichinho das cábulas tão confortavelmente instalado no colo tenham acesso à magistratura, com certeza não se espera que, por livre e espontânea força espiritual sejam brindados de algum tipo de maturidade excepcional que os torne exemplos perfeitos da noção de bom pai de família e capazes de renegar veementemente ao poderoso pecado do copianço.
Se me dizem: Ah e tal, mas um juiz deve ser assim e assado e não se admites que isto e aquilo aconteça! Eu direi: Pois está muito bem, mas então vocês não têm noção de como a sociedade está corrompida até ao tutano? Ainda acreditam na ingenuidade e pureza dos jovens licenciados? (E soltarei uma sonora gargalhada de desdém....)
Mas sim senhor, esse acordo inicial de votarem tudo a 10 para ninguém sair demasiado prejudicado foi coisa bonita de se ver... Isso sim é aprender noções bonitas de justiça!
No entanto, se condenável foi o facto de estes formandos terem copiado à confiança num teste em pleno Centro de Estudos Judiciários (feito que, só por si, acobardaria os mais nervosos e medrosos estudantes), muitíssimo mais condenável será o facto de não o terem sabido fazer e virarem motivo de vergonha pública!
Caríssimos formandos, a minha vénia vai directinha para vocês porque, sim senhor, foram de raça... Mas para a próxima vejam lá a melhor maneira. É que serem assim desmascarados e rotulados de portentos da incompetência não me parece que fiquei muito bem no currículo.

Sem comentários: