Apesar da relutância dos Estados Unidos e, em parte, da União Europeia, a opção militar parece inevitável. Não obstante o anúncio imediato de cessar-fogo do regime líbio como reacção à decisão do Conselho de Segurança da ONU, os ataques ao povo líbio permanecem. Benghazi, a capital dos revoltosos líbios, está a ser alvo de ataques intensos das tropas de Kadafi que conseguiram já penetrar na cidade.

À luz do direito internacional, a intervenção da comunidade internacional está, pois, legitimada: não só ao abrigo da recente resolução do Conselho de Segurança da ONU, como também ao abrigo da noção de «responsabilidade de proteger», que consta da resolução 60/1 da Assembleia Geral da ONU. A recente resolução do Conselho de Segurança da ONU, no entanto, é, do ponto de vista político, importante para reforçar a legitimidade da intervenção que era já válida do ponto de vista do direito internacional. Segundo a resolução 60/1 da Assembleia Geral das Nações Unidas, a soberania de um Estado não é absoluta, ou seja, a comunidade internacional, através das suas instituições, tem o direito de agir sobre todas aquelas situações que possam colocar em perigo grave a população de um Estado ou parte dela: aqui se incluem os crimes contra a humanidade, ou os atentados aos direitos do Homem.
Não restando, pois, outra possibilidade, a comunidade internacional tem de agir – e agir rapidamente. As forças de Kadafi estão à porta de Benghazi e um massacre da população é eminente. Ora, sendo o mandato conferido pelo Conselho de Segurança da ONU precisamente para defender a vida do povo líbio e esgotadas todas as outras possibilidade de resolução pacífica do conflito, como o regime vem demonstrando, os aliados precisam de se entender rapidamente quanto à forma e ao alcance da intervenção. Nesse sentido, decorre hoje, em Paris, uma reunião crucial para definir os termos dessa mesma intervenção.
O Ocidente não pode adiar mais a sua resposta; a sua credibilidade está já abalada pelo apoio tácito que foi dado a Kadafi durante mais de quarenta anos de regime. A inacção, neste momento, terá um preço elevado para o Ocidente, mas não só: está também em causa a permanência do ímpeto das revoluções no mundo árabe. A sobrevivência do regime de Kadafi seria uma terrível derrota. O triunfo da Revolução, pelo contrário, manteria viva a esperança do alargamento dos movimentos democráticos a Estados despóticos.
Sem comentários:
Enviar um comentário