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sábado, 25 de setembro de 2010

Notas sobre a Educação - e sobre o Lord Nelson

Na passada quarta-feira, apresentamos uma pequena sátira da Educação em Portugal. Não tivemos, contudo, oportunidade de extrair as ideias fundamentais da mesma, ao que iremos proceder agora.
A educação tem por fim – já o dissemos uma vez – a mais perfeita adaptação do homem à vida. É através da educação que é possível ao homem reconhecer e compreender as circunstâncias que o rodeiam de modo a alcançar a felicidade. Dito isto, a educação deve possuir o carácter mais prático, o mais pragmático possível para que na luta moderna da vida, o homem possa aplicar os conhecimentos apreendidos numa sala de aula. Para que outra coisa serve o conhecimento senão para nos guiar e orientar no nosso esforço diário da vida?
Este facto é tanto mais verdadeiro no que respeita ao ensino básico e secundário. Apesar dos grandes progressos feitos por Portugal no que respeita ao número de diplomados no ensino superior, sabemos que as taxas de abandono escolar são elevadíssimas quando comparadas com os restantes países da União Europeia. É, por isso, que dizemos que o ensino público deve desenvolver no espírito as noções mais práticas, os conceitos mais indispensáveis, as tarefas mais elementares, as aptidões mais necessárias para a vida prática. Com efeito, o Estado não pode desprezar os alunos que acabam por abandonar a escola, providenciando uma educação que não terá qualquer reflexo na sua vida prática, que não encontra nenhuma utilidade no seu labor quotidiano. Por certo que o abandono escolar precoce tem de ser combatido; mas quando o aluno, findo o 9.º ano ou o 12.º ano – como agora pretende o Estado com a obrigatoriedade do ensino secundário -, quando o aluno finda o 9.º ou o 12.º ano, dizia eu, e não pretender continuar os seus estudos, o aluno deve então, ter a noção mais aproximada possível daquilo que é a vida prática e dos instrumentos – conhecimentos – indispensáveis para triunfar nela.
Ora, na educação em Portugal poucos alunos retiram dela ideias para a vida prática. Aprende-se muita coisa na educação em Portugal – menos analisar, pensar e criticar. Nas escolas gregas da Antiguidade, a música, a poesia, a retórica e a filosofia eram as áreas de estudo. Tudo isto era muito bem visto, até que Sócrates questionou a utilidades destes ensinamentos na vida prática. Os nascimentos e as mortes dos reis são factos que de nada servem à vida real e que estão apenas afectos à memória, mas são sempre pertencentes ao domino da educação, não pela sua utilidade prática, mas pela convencionalidade pública – isto dizia-o Spencer.
É através da instrução que os indivíduos com menores posses se tornam iguais aos indivíduos com maiores posses. É através da instrução que os indivíduos menos qualificados poderão juntar o seu esforço ao esforço da Nação na peleja pelo apurar e pelo burilar da Civilização. Ora, o Estado ao não defender as mais elementares regras, os mais básicos princípios, não só não está a combater as desigualdades sociais, como as está a incentivar! De que outro modo pode ser interpretado todo o processo da avaliação dos professores? Esta distinta classe não deseja um modelo de avaliação rigoroso – o que se compreende porque coloca em causa a preguiça e a inépcia. Pois bem, o Estado, mole e linfático, sucumbe aos pés da classe dos professores e entrega-lhes um modelo de avaliação frouxo – um modelo que não distingue o mérito, que não promove o trabalho, que incentive o valor. Se o Estado não é exigente com os seus professores, como o pode exigir aos seus alunos? E os professores? Se estes pedem que o Estado não seja exigente com eles, como podem eles ser exigentes com os seus alunos? É neste processo em que ninguém é exigente com ninguém que a própria sociedade deixou de ser exigente com o Estado por cansaço – e, assim vai a Escola Pública se enviuvando da inteligência.

Gostaria ainda de dirigir uma palavra final ao nosso Lord. O estimado leitor estará, porventura, recordado das palavras do nosso Lord a propósito do Programa Fome Zero do Presidente Lula? Muito bem então – a verdade é que o nosso Lord cuspiu no Programa Fome Zero e apelidou-o de “fracasso”. Não querendo colocar em causa a credibilidade, honorabilidade, probidade e reputação dessa nobre instituição denominada Lord Nelson, uma outra instituição bem mais desacreditada, bem mais suspeita, bem mais parcial, residente na Alemanha – esse berço do esbanjamento público e do comunismo -, designadamente a Der Spiegel, aponta o Programa Fome Zero como um exemplo a seguir às Nações Unidas para que se alcancem os objectivos do Milénio no que concerne à fome, apelidando-o de “sucesso”.
Estimado leitor, contribuindo eu para o esclarecimento da opinião pública e das mentes mais nubladas, o que Lord Nelson quis dizer quando subiu ao púlpito foi:
- Povo! Escutai-me atentamente! Eu quero que tu, Povo, coloques as mãos nas costas e as apalpes!
O Povo olhando-se mutuamente, desconfiadamente, começa a murmurar entre si – o que pretenderá o benemérito Lord? Então, o capitalista de monóculo e cartola insiste:
- Povo! Escutai-me atentamente! Eu quero que tu, Povo, coloques as mãos nas costas e as apalpes!
O Povo confia, coloca as mãos nas costas e começa a apalpar. Aos poucos, por toda a parte começam a ressoar perguntas:
- Mas que saliência é esta? – pergunta um.
- Mas o que é isto que tenho nas costas? – pergunta outro. Não estava aqui antes!
Então, Lord Nelson, sereno, grave, diz:
- Povo! Isso que tendes nas costas são dois corcovados! Agora ide trabalhar seus camelos que me estão a atrapalhar o crescimento económico do Brasil!

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