A mais bela, a mais pura e a mais duradoura glória literária de prosa da blogosfera

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terça-feira, 9 de novembro de 2010

Visita Papal a Espanha - Considerações






Sua Santidade o Papa Bento XVI visitou a Espanha nos últimos dias. Visitou um país com uma maioria católica e agora, laico e democrático. O Estado será laico e respeitador das sensibilidades individuais, mas alguns cidadãos arruaceiros não saberão decerto o que é viver em liberdade – imbuídos de um nihilismo pós-moderno imbecil e com espírito de cruzada, investem contra um Chefe de Estado estrangeiro, líder espiritual de mil milhões de seres humanos. E tudo isto apenas por respeito à sua própria mundividência – que para se afirmar parece necessitar de desrespeitar a dos outros.

Teceu considerações acerca do casamento homossexual e logo um coro de protestos… Mas porquê? Acaso a Espanha é uma teocracia? Acaso o Vaticano impõe ultimati àquele país? Não faz parte do jogo democrático aceitar todas as opiniões, mesmo que discordemos frontalmente?
Ser católico nos dias de hoje é uma escolha – não uma imposição. E a Igreja está relegada ao foro privado da vida dos cidadãos: assim, se um grupo de pessoas decide reunir-se para prestar culto a um Deus e durante essas cerimónias se pronunciam, em termos perfeitamente lícitos, acerca de um tema qualquer porque hão-de os defensores do politicamente correcto insurgir-se? E insurgiram-se em termos que apenas serviram para provocar e chocar os primeiros, conforme se pode verificar por tristes iniciativas como esta, ou esta, que em nada contribuem para um debate civilizado – mas apenas para um extremar de posições.

A posição da Igreja Católica Apostólica Romana em qualquer dossier é a que quiser, ter de acordo com os seus dogmas e apenas diz respeito à comunidade de crentes (rectius, à Igreja). Qualquer protesto para mudança de posição é moralmente inadmissível – e comparável com uma qualquer pressão exercida sobre um anónimo particular. Já não terão os católicos liberdade para celebrarem a sua fé nos termos que mais lhe aprouverem sem serem perseguidos e vaiados?

Numa segunda parte deste post queremos notar o seguinte:

A virgindade futebolística d’ Opinador foi violada pelo Dr. Carlos. Tenho dito!
Este blog respirava erudição, elevando-se como um lírio entre o lodaçal português. Nunca tinha por aqui havido um comentário dedicado à bola, esse ópio nacional que desvia as atenções dos problemas que nos afligem e permite a perpetuação de um discurso vazio e oco, acerca de jogadores ou de tácticas.
Mas, no dia 6 de Novembro do ano da Graça de 2010, o Dr. Carlos imbuído de um espírito colérico, espezinhou aquele delicado lírio, postando um texto apenas dedicado ao futebol… E não ao futebol enquanto desporto, mas dedicado à antevisão de um jogo! E que antevisão, senhores leitores! Profética antevisão! Uma antevisão verdadeiramente onírica!

Começou aquele doutor com considerações acerca de uns jogadores lá do sul, embrenhou-se em análises de outros jogos do seu SLB (contra o Lyon) e terminou com uma tirada poética - citemos o mestre, data venia:

Mas o Benfica tem evoluído consistentemente: vem de uma vitória moralizadora para a Champions contra o Lyon, cujos últimos vinte minutos de jogo não ofuscam os restantes setenta minutos brilhantes que o Benfica realizou. Estamos, portanto, confiantes para o jogo de amanhã, apesar de reconhecermos que o Porto tem feito um excelente começo de época – os seus resultados são apenas a concretização das suas boas exibições. Creio, no entanto, que o Benfica deve apenas preocupar-se consigo e em voltar aos patamares da temporada passada. Nesse aspecto, o Benfica está cada vez melhor como se viu na terça-feira – basta agora que mantenha essa consistência de uma forma mais regular.

Estava Confiante! O Dr. Carlos respirava confiança! Fantástico… Mas a sua confiança desde cedo se esfumou… Lendo aquela prosa três dias depois podemos constatar que o mestre estava incorrecto… O mestre enganou-se… O mestre bateu tão de rijo como o Titanic no iceberg e afundou-se ainda mais depressa… O mestre, arrisco a dizer, afinal não percebe nada de futebol (e talvez seja por isso que é adepto do SLB).

Estava assim desfeita a pureza virginal deste blog... E para quê? Para uma glorificação do glorioso que veio à Antiga, Mui Nobre, Sempre Leal e Invicta Cidade do Porto levar uma goleada de 5, sim 5, a zero… Mais valia não terem comparecido que assim eram só 3.
Oh Dr. Carlos, tenha dó e leve lá a sua propaganda lampiona e a sua militância benfiquista para as terras do sul porque decerto não conhecerá grande simpatia no nosso ilustre auditório, apesar de o nosso painel de comentadores está infestado de adoradores do benfas.

Deixamos, por fim, aqui um vídeo para V. Exa. recordar – porque recordar é viver…



Deixe lá! Pró ano é que vai ser...

6 comentários:

Anónimo disse...

Este texto sobre "o papa" esquece que a igreja católica, em Espanha, apoiou Franco no genocídio de milhares de pessoas que simplesmente ousaram lutar pela sua liberdade nos anos 30. Mais, ao reconhecer a ditadura de Franco, reconheceu a legitimidade do regime de Hitler, que foi quem patrocinou as armas. Recorde-se que o apoio da igreja católica ao regme de Franco foi inequívoco.
Ver "A questão religiosa na Guerra Civil", em http://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_Civil_Espanhola

Lord Nelson disse...

Caro Leitor,

Antes de mais bem-vindo a este espaço e obrigado pela sua contribuição.

Deixe-me dizer que não vejo com bons olhos a república espanhola - se o hitler ajudou franco a união soviética ajudou os republicanos: e para mim são tão bons uns como os outros...


Não nego que sectores da Igreja Católica tenham pactuado com o fascismo espanhol - mas isso creio que não vem ao caso. A igreja é a comunidade dos crentes e há muitos crentes em Espanha que não pactuaram com o fascismo, que concordam com a mensagem cristã e que só querem expressar a sua fé livremente.

Compreendo a sua posição, mas não concordo pois julgo que mistura coisas que não têm que ser misturadas.

Não pretendo que concorde comigo - fico feliz apenas com o exercício dialético.

Espero que continue a contribuir futuramente (mesmo que discorde, não tenho pretensões a ser um dogma).

Cumprimentos!

Ricardo Lima disse...

Deixem-me por favor discordar. Muito podemos adjectivar as ditaduras ibéricas, especialmente na influência que o fascismo teve nas mesmas, mas apelidar ambas de fascistas é um erro. E não duvido que a Igreja tenha apoiado Franco, não tivessem os arautos do totalitarismo estalinista e os anarquistas do outro lado da barricada incendiado umas quantas igrejas e assassinado uns quantos sacerdotes. E sendo eu ateu não sou suspeito ao condenar tais actos. Do mesmo modo é indiscutível o papel de Franco no combate a um movimento que começou por ser uma forte componente democrática mas que acabou dominado pela NKVD e os anarquistas catalães. Traduzir um conflito com a complexidade da Guerra Civil Espanhola numa luta entre "fascistas" e democratas é outro erro imperdoável.


Ahh e Almirante Nelson, não esqueça a propaganda anti-preservativo que sua Santidade tanto emprega em África e que nada mais tem feito senão apressar o encontro de milhões de africanos com o Criador.

Os meus cumprimentos,

RL

Lord Nelson disse...

Sim, no purismo conceptual sou obrigado a reconhecer que fascista apenas a Itália...

Nós e nuestros hermanos, ditaduras conservadoras com inspiração fascista... Assim ta? ;)
Nunca existiu uma corporativização plena nem um verdadeiro totalitarismo. Eram mais autocráticas.

De qualquer das maneiras um liberal como eu (e julgo que tu também Ricardo) dava-se mal em qualquer uma delas ;)

Ricardo Lima disse...

Óbvio, mas se fosse espanhol em 36 teria que escolher o lado menos mau. Além do mais existiram ditaduras conservadoras que trouxeram algum liberalismo. Por acaso há uma que transformou um país do 3o mundo perto de se tornar numa Cuba num país de índices europeus de desenvolvimento e foi a própria a promover a transição democrática. Sou obviamente completamente contra qualquer forma de autoritarismo, mas por vezes...

Vê lá se adivinhas de que é que estou a falar xD

Lord Nelson disse...

Eu se fosse espanhol em 36 era capaz de estar em Roma num exílio lol

Quanto a Portugal, faço minhas as palavras de um grande político português: "Bardamerda para o fascista!"