A mais bela, a mais pura e a mais duradoura glória literária de prosa da blogosfera

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sexta-feira, 16 de julho de 2010

Abuso Sexual de Animais no Fetichismo

Basta olharmos à nossa volta para percebermos que os humanos são os terráqueos mais destrutivos da Terra, considerando que tudo o que existe na Terra é para ser utilizado por si e como lhe apetecer. Isto vê-se na poluição ambiental mundial, nas touradas, na indústria das peles/carnes/lacticínios, etc. A exploração dos animais enquanto objectos sexuais é apenas mais uma das muitas manifestações de abuso do homem sobre o planeta (e nem sequer se penaliza, embora seja equiparável à pedofilia, por exemplo).

Como exemplos deste tipo de abusos, existem filmes pornográficos onde os animais (ex: cavalos) têm sexo explícito com humanos e os “crush vídeos”. Eu não consigo visualizar estas crueldades para descrevê-las mas, de acordo com um dos sites que visa parar este tipo de abuso - http://stopcrush.org/ - “Crush videos, among other “fetish videos,” feature small live animals, such as kittens, puppies, mice and bunnies, being slowly tortured in the most horrific ways imaginable; including being burnt alive, cut with pruning sheers, nailed to the floor, skinned alive, beaten, stabbed, and having their limbs broken. All of these videos share a common theme: the animals are incrementally crushed by a woman in high heels. Most people view these materials for “sexual gratification.”

No entanto, o abuso não ocorre só no mundo da pornografia. No mundo real e “doméstico” também acontece (há inclusive mulheres que já foram parar às urgências por não conseguirem retirar o seu cão de dentro de si). E, no caso dos animais domésticos, não nos podemos esquecer de que o animal não tem os mesmos recursos que um humano para deixar a casa onde vive. Os animais domésticos estão resgistados como estando na posse de um dono, não têm capacidade para ligar a linhas de apoio para animais abusados e não conseguem contar aos outros que estão a ser abusados. Mesmo que o animal abusado conseguisse fugir o mais provável é que retornasse ao dono (pois tem um chip de localização). Estabelecendo analogias podemos considerar os casos em que os patrões têm sexo com os trabalhadores mais frágeis financeiramente, os terapeutas (ex: psiquiatra, psicólogo, médico) têm sexo com os pacientes mais vulneráveis ou mentalmente incapazes, pedófilos que violam crianças, etc. Em todas estas situações há um desequilíbrio de poder onde, por vezes, a pessoa num nível considerado hierarquicamente superior utiliza o seu poder de forma abusiva e persuasiva sobre os que se encontram em situação de maior fragilidade.

Os animais, ainda que sejam muito superiores aos humanos em diversas capacidades (ex: olfacto, audição e, por vezes, afectividade), não são capazes de dar um consentimento informado e de estar numa relação amorosa/sexual com um humano; do mesmo modo que as crianças que são exploradas por pedófilos também não são capazes de o consentir informadamente, pois as suas capacidades para raciocinar sobre questões éticas ainda não foram alcançadas, ainda se encontram em desenvolvimento.

Os seres humanos têm a capacidade de pensar profundamente sobre as suas acções. E, se utilizarem essa capacidade tipicamente humana, facilmente se percebe que o facto de um animal ter sexo com outro da sua espécie não pode ser colocado ao mesmo nível que um humano a ter sexo com um animal. Isto porque, quando um animal estabelece relações sexuais com outro animal da sua espécie, o mais provável é que consiga perceber os seus sinais, sendo menos comum a ocorrência de uma situação onde há uma vantagem injusta baseada no poder. O facto é que não existem evidências de que um animal possa dizer não eficientemente e ser compreendido (tal como acontece com muitas crianças, alvo de predadores sexuais), o que constitui mais um motivo para não estabelecer relações com animais: quando falamos de seres em posição de maior fragilidade (sejam crianças, animais, empregados, deficientes, etc), o mais acertado é prevenir; na existência de incertezas relativas às consequências físicas e emocionais do mais frágil, a única opção válida é não ter relações sexuais com ele, prevenindo toda e qualquer possível mágoa (física e/ou psicológica) ao outro ser. Um consentimento desinformado, resultante de um processo de manipulação, persuasão e subjugação pelo poder e abuso da confiança pré-estabelecida não é, e nunca será, um consentimento justo (na minha opinião, o facto de um consentimento ser dado no seio de uma situação frágil e injusta nem sequer pode ser considerado consentimento).

Alguns actores e produtores de pornografia com animais dizem que os animais consentem e retiram prazer destes actos. Na minha opinião, isto é completamente ridículo, porque apenas porque uma criança ou animal violado tem um orgasmo não é razão para dizer que é do seu interesse ter relações. Não interessa se a criança diz que sim ou se o cavalo ejacula, o que interessa é que não têm capacidade para fazê-lo de forma devidamente informada. Além disso, correr o risco de magoar outro ser senciente sem se basear em evidências, mas apenas nas suas crenças irreais é extremamente irresponsável e imaturo; pois todas as decisões devem ser feitas de forma informada (e nunca manipulando, através do abuso de poder e abuso de confiança).

O que é verdadeiramente importante, no fundo, é que ninguém deveria levar a cabo uma acção sem considerar o sofrimento que isso poderá ter para outra criatura.

1 comentário:

hemlock disse...

crush videos?? choque. não fazia ideia que isto existia sequer... a crueldade humana nunca vai deixar de me surpreender. :(