A mais bela, a mais pura e a mais duradoura glória literária de prosa da blogosfera

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terça-feira, 26 de outubro de 2010

Chávez, Sócrates e cia. lda.

No século XVIII começa a emergir na arte um género autónomo – a opera buffa: que se distingue da ópera tradicional não só pela temática mas também pelas vozes menos canoras. No século XXI, assistimos a um reemergir daquela opera buffa.



Desta vez, o fanfarrão Polichinelo personifica no Presidente Hugo Chávez, na sua mais recente aventura na Lusitânia. A representar os valorosos Lusíadas estava o nosso ardiloso Don Alonso (Così fan tutte), ao que parece agora com título de engenheiro (não inscrito na Ordem).

No primeiro acto desta nossa opéra comique o Polichinelo venezuelano aterra num país deprimido e a braços com a sua maior crise (social, económica e institucional) dos últimos oitenta anos e declara:


“Estamos à procura de oportunidades em todo o Mundo e viemos aqui a pedido do meu amigo José Sócrates, um bom homem. Num momento difícil para Portugal, viemos dar-lhe as mãos”


Toda a Lusitânia saltou em êxtase. O nosso D. Sebastião tinha chegado, mais moreno e com um sotaque estranho é certo, mas tinha chegado. E viera a correr porque nem teve tempo para se compor – apareceu num género de fato de treino e boina, indumentária muitíssimo utilizada em Alcácer-Quibir.
Chegou, viu e comprou um barco (e encomendou quatro mais), uns computadores à JP Sá Couto (essa empresa do regime que até levou a criação da Fundação para as Comunicações Móveis), e uns pré-fabricados.
Deu umas declarações, conduziu, tirou umas fotografias e foi embora. Mas o que ficou?




O que ficou foi a imagem de uma aliança Sócrates – Chávez que muito pouco contribuirá para a imagem de Portugal junto dos seus parceiros privilegiados (desde logo a Espanha).


Sim as exportações são o caminho – mas haverá lugar à ética? A Venezuela está cada vez mais isolada no contexto internacional (aparecendo muitas vezes associada ao Irão e a Cuba). É óbvio que este tipo de fait-divers vale ouro para El-Presidente apresentar na sua terra para consumo interno. Mas é inadmissível que o nosso Governo compactue com um regime que controla os meios de comunicação social, comete fraudes eleitorais e pratica bulling na política internacional.


Talvez mais inadmissível do que tudo isso é o primeiro-ministro português assistir a elogios à União Soviética e manter o silêncio – por momento até parece que voltamos ao PREC. Branqueia-se a História com a maior das facilidades e glorificam-se tiranos.


Na Constituição diz o seguinte: “ Portugal rege-se nas relações internacionais pelos princípios (…) da não ingerência nos assuntos internos dos outros Estados.” E isso implica não dar material de propaganda a déspotas de segunda classe. Mas diz mais: “Portugal empenha-se no reforço da identidade europeia e no fortalecimento da acção dos Estados europeus a favor da democracia, da paz, do progresso económico e da justiça nas relações entre os povos.” Claramente a agenda de Chávez.
Por isso fazemos uma sugestão ao nosso PM: se quer continuar nessa linha diplomática, que tal uma revisão constitucional? Começamos pelo artigo 7.º?


O Polichinelo foi-se, em dez horas, embora… O drama é que por cá ainda continuam a parasitar o José Sócrates y sus muchachos! Agora como país satélite do Eixo do Mal. Porreiro pá!

Aproveitamos agora este nosso idílico cantinho para responder ao Dr. Carlos


Ilustríssimo senhor: V. Exa. graceja quando dizemos ser nossa íntima vontade mandar o Orçamento e o Engenheiro às urtigas. V. Exa. graceja quando nós dissemos que porém, não o devemos fazer pois isso iria prejudicar o tecido empresarial português.
Mas é assim tão ilógica a posição? Querer ver o nosso país liberto de um PM que sistematicamente mente e engana? Que vale um Orçamento nas mãos daquele PM? Tanto como valeu o PEC I ou mais do que valeu o PEC II?
E depois ainda graceja com as empresas – mas não o faça… Pois é o sector privado que produz e consegue ainda manter o país. São as pessoas colectivas que sustentam duas classes ociosas que parasitam em Portugal (os do Estadão e os subsídio-dependentes).
Antes de atacar a nossa preocupação em defender as empresas dos pesados tributos que sobre elas impendem e dos riscos que passam pelas erradas políticas socráticas, faça este exercício: vá ao seu frigorífico e veja quem produziu a sua comida; depois vá ao seu guarda-fatos e veja que fabricou a sua roupa. Sente-se a ler e veja quem editou os seus livros. E o seu calçado, e a sua mobília, e o seu perfume….
Claro que foram pessoas físicas – evidente. Mas não uma qualquer pessoa física – foram aquelas que acordaram cedo e suam durante o dia, produzindo integradas num conjunto organizado para um fim – produzir.
São as pessoas físicas integradas nas PME’S que são o tecido produtivo nacional. São delas que dependemos. E é da saúde económica delas que depende a nossa saúde económica. Se quer ajudar, vire-se contra as sanguessugas e não contra quem corre a aplicar o sal!
Terminamos com uma interrogação ao Dr. Carlos: já haveis reparado que aquele Estado que falamos é, ele próprio uma pessoa colectiva? Será uma pessoa colectiva, obesa, babosa e ociosa, qual porca rodeada dos seus leitõezinhos mamadores… Mas uma pessoa colectiva. Esta decerto mais agradável à sua vista!

3 comentários:

Joana Banana disse...

julgo ser importante não esquecer, como Chomsky bem nos demonstra, que a maioria das grandes invenções (Internet, por exemplo) não surgiu da iniciativa privada. surge antes apoiada totalmente pelo Estado, no seio militar, sendo depois transmitidos os direitos de exploração e produção para uma empresa privada. portanto, algo que começou pela contribuição de todo o cidadão, passa a ser explorado com lucros exorbitantes e a ser vendido ou revendido a esse cidadão.
ah os intermediários...

Madalena Santos disse...

Fiquei O.o' ("Whaaaaaat?") quando o vi a falar de amigos e de dar as mãos a esses amigos coitadinhos que ele pode ajudar, e a dizer que veio cá ver como se fazem pás eólicas...
Mas este Governo está a inventar ainda mais maneiras de nos enterrar internacionalmente?!
Pensei que o conselho "Não PEC's mais..." fosse aquele momento em que o fundo do poço já está ao alcance, que pouco mais se pode fazer para afundar o país numa altura em que (parece que) se prepara o caminho mais ajuizado(mas já lá vai o que era o certo) para o país... e mete-se o povo todo a assistir uma nulidade da diplomacia a conduzir carrinhas buzinando e um PM que mantém-se num "amén!" quando é hora de um "porque no te callas?"?!
Apelo, por favor, àqueles que votariam neste PM, se hoje houvesse eleições, uma explicação sobre o que vai na vossa cabeça.
Está tudo tolo!

Lord Nelson disse...

Antes de mais o meu obrigado pelos comentários. O blog serve para vós, leitores!

Joana - Não se defende aqui o anarco-capitalismo... Nem o fim das universidades públicas! Simplesmentes reagimos às críticas que o Dr. Carlos nos lançou no seu último post...

Madalena - não podia estar mais de acordo. Sá Carneiro dizia que se a "política sem riscos é uma chatice, a política sem ética é uma vergonha".
Convem também verificar a descrepância entre o que se anuncia e o que se efectivamente vende àquele senhor...