A mais bela, a mais pura e a mais duradoura glória literária de prosa da blogosfera

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terça-feira, 18 de maio de 2010

Coisas do nosso sítio

Gostaríamos de começar o primeiro post desta semana discordando respeitosamente de Sua Excelência, o Sr. Dr. Carlos e da sua abordagem à religião.
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Não nos revemos de forma nenhuma nas críticas lançadas. Primeiro afirma-se a inutilidade da religião por haver um código ético laico que a poderia muito bem substituir. Esquece-se sua excelência que tal código ético e laico advém dos ensinamentos cristãos que moldaram a nossa Civilização através de Santo Agostinho e São Tomás de Aquino. É a nosso ver indiscutível que sem um fundamento dogmático forte tais condutas poderiam sofrer uma relativização extrema – podendo pois ser negada. A experiência nazi, entre outras, alicerçada não nos valores cristãos mas num entendimento sui generis da teoria darwiniana e mitos de superioridade rácicas está aí para provar este ponto. O que sua excelência dá como inerente a todos os homens (aquela noção de bem e do mal) nós não o conseguimos perceber neste mundo, antes vendo aquela raiz na religião judaico-cristã.
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Assim, os ensinamentos cristãos servem antes de mais, para ganharmos consciência do Bem e do Mal – num outro exemplo, seguindo uma doutrina comunista, os conceitos de certo e errado não se centrarão no indivíduo mas na classe, podendo os inimigos da classe serem afastados (eufemismo!). Cremos ter assim respondido à questão “Qual a utilidade então dos ensinamentos de Deus?” Citando a I Carta aos Romanos, capítulo 7, versículo 7: “(…)mas a verdade é que eu não conheceria o pecado se não fosse pela lei.
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Por outro lado parece-se argumentar que apenas quem adorar publicamente, no seio de uma religião organizada, a Deus ou a Ele pedinchar será salvo e terá benefícios na vida terrena. Quanto à vida terrena, leia-se a parábola da casa sobre o rochedo ou sobre a areia em Mt. 7, 24-27 ou Lc. 6, 47-49. Daqui se retira a inutilidade das preces por mais riqueza ou poder. Em sentido contrário, parece querer afirmar o nosso doutor que qualquer virtuoso mas ausente daquela comunidade será condenado. Também não se percebe. O que se estatui é que cada um julgue as suas acções como sendo ou não do agrado de Deus – e não praticar as acções apenas para agradar Deus e receber o benefício do Céu: “Ajudem-se uns aos outros a suportar as dificuldades, pois assim cumprem a lei de Cristo.” Gl. 6, 2 e 3; Mas mais do que isso: leia-se Mc. 10, 17 a 22 – aí se percebe que só com padres-nosso e apenas não prejudicar não chega. Quanto à publicidade das orações citamos Mt. 6, 6: “ Tu, porém, quando quiseres fazer oração, entra no teu quarto, fecha a porta e ora a teu Pai que está presente sem ser visto.
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E por fim também merece reparo a acusação de egoísmo puro que seria o norte de qualquer cristão preocupado com a sua salvação. Senhor Doutor Carlos – a nosso ver, está errado! A Bíblia ensina a pensar mais no próximo que em si mesmo: “Façam aos outros tudo o que desejariam que eles vos fizessem. Aqui está o essencial da lei e do ensino dos profetas.” Mt. 7, 12. O que a Bíblia nos dá é uma lição, segundo a qual, seremos julgados pela mesma medida que julgamos os outros.
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Como jurista que é, recomendo a V. Exa. o respeito pelo princípio do contraditório: antes de tomar posição relativamente à mensagem cristã, leia por gentileza, essa mesma mensagem. Nemini inauditu damnari potest! Ao pugnar pela inutilidade da mensagem de Cristo Vossa Excelência comete dois erros: por um lado ataca a semente do seu código ético (que não é universal!) e por outro lado retira-lhe o “cimento dogmático” que lhe permite passar pelos séculos dos séculos de forma imutável. Tal relativização parece-nos perigosa e descabida.
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Acompanhe-nos agora o leitor numa viagem pelas últimas peripécias desse fabuloso sítio chamado Portugal.
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o regime apoia a nova lei
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  1. Da análise das palavras do primeiro que ministra em Portugal: O senhor engenheiro conseguiu cometer três gafes, reveladoras de uma ignorância monumental, na sua audiência com o Papa Bento XVI: tratou o Papa por Vossa Eminência (tratamento reservado aos cardeais) referiu-se à cerimónia de coroação do Sumo Pontífice (os Papas são entronizados, não coroados) e situou o primeiro encontro de ambos como tendo ocorrido no início do mandato de Bento XVI (os Papas não têm mandato têm pontificado). Para ter dito tais baboseiras mais valia ter estado calado. Já bem nos basta o seu inglês técnico e o castelhano domingueiro para nos envergonhar junto das altas entidades internacionais.
  2. O Sr. Jaime Gama queria €61.240 para fazer uma peça de teatro na Assembleia para comemorar o centenário da república. Tal ideia enferma de magna imbecilidade por três razões: 1 – desperdício de dinheiro público em tempo de aperto; 2- nada há a comemorar; 3 – esta negociata seria feita por ajuste directo (ou seja, não haveria concurso). Ainda bem que a comissão executiva da AR chumbou tamanho disparate, apesar de PCP e BE terem votado a favor. Vamos lá a ter juízo na cabeça, Senhor Jaime Gama? É que Vossa Excelência, a continuar a querer financiar peças glorificadoras do Regime ainda chega a ministro da Propaganda – e um ministro em “Estado Novo”!
  3. Ontem, foi o dia contra a homofobia, segundo decretado por alguém… Em Portugal isso é sinónimo de Presidente de mãos atadas pelo Parlamento (mas com excelente discurso, diga-se) e PM a dançar o tango com o líder da oposição… Ai Portugal, Portugal!
Valha ao menos que lá por fora anda tudo mais lúcido… Ao que parece, o Ex Secretário de Estado do Tesouro do Reino Unido, deixou uma nota ao seu sucessor onde dizia e passamos a citar: “Caro Secretário, lamento informá-lo que já não há dinheiro”. Que governo fantástico que se foi embora.
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Há dias perguntou-me um amigo das esquerdas: “Achas [os de esquerda gostam de me tratar por tu, é verdade, não se choquem] que o Estado Social está morto?” Julgo que já não preciso responder… A realidade é mais forte que qualquer declaração.

2 comentários:

M. Pompadour disse...

Bravo!
Esta parte final está fantástica. :p

Lord Nelson disse...

Merci Madame ;)